The Witcher é uma série de televisão de drama fantasia criada por Lauren Schmidt Hissrich para a Netflix. É baseado na série de livros de mesmo nome de Andrzej Sapkowski. Também existindo uma série de jogos baseados em sua história, que apesar de serem muito responsáveis pela popularidade da franquia, não inspiraram a série, que tem como base apenas os livros.
The Witcher é uma grata surpresa para esse fim de ano, a série justifica todos os custos de produção e marketing que a Netflix teve para sua divulgação. Além do maior custo de todos, a contratação de Henry Cavill para o papel principal.

A trama da série começa já mostrando a que veio, com muita luta e cenas de ação pra ninguém colocar defeito, é incrível o trabalho dos coreógrafos para fazer as cenas de luta. Cenas essas que o próprio Henry Cavill fez questão de participar da coreografia como revelou em sua vinda ao Brasil na CCXP19.
É inegável o esforço do ator para fazer com que o projeto dê certo, e a empolgação que vimos em sua visita ao Brasil ao falar da série já mostrava o quanto o projeto é importante para o ator.

Sua atuação apesar de contida em muitos momentos é totalmente necessária para compor a personalidade de Geralt, alguém introspectivo turrão e calado. Você sente a cada episódio que o mundo não foi gentil com Geralt. Henry conhece muito o personagem como um fã assumido da franquia, ele foi a escolha perfeita para o papel.
A narrativa é confusa em muitos momentos. É necessário prestar bastante atenção nos acontecimentos para entender em que tempo eles se sucedem, passado ou presente. Isso pode ser incomodo a princípio, mas no decorrer que a trama vai chegando em seu ápice, você entende porque esse quebra cabeças nos é apresentado em dois episódios eles montam e encaixam todas as peças. A série não se utiliza de Flashback’s para explicar acontecimentos, os Flashback’s vão acontecendo quase que como uma subtrama.
Os coadjuvantes são outro ponto forte da série, desde Jaskier, que é interpretado por Joey Batey, como alívio cômico e elo de ligação com alguns dos acontecimentos importante a. Ou até mesmo as personagens femininas que roubam a cenas inúmeras vezes.
As personagens femininas sem dúvida são o forte da série, todas estão muito bem. São fortes, decididas poderosas misteriosas. O destaque maior vai para Yenefer, interpretada por Anya Chalotra, a evolução da personagem é incrível e muito bem retratada durante a série, mesmo com a narrativa confusa seu desenvolvimento sem dúvidas é o mais bem feito, além de sua relação com Geralt ser muito bem apresentada.

Os efeitos especiais também são muito bons, mesmo quando não falamos de CGI, as maquiagens de algumas das criaturas me lembraram bastante o estilo que Guilhermo del Toro utiliza em algumas de suas produções, como Hellboy, Labirinto do Fauno e A Forma da Água.
Sua fotografia é escura e cinzenta necessária para o clima de tensão em alguns momentos além de nos remeter a idade das Trevas, um período muito retratado em séries e filmes medievais.
Respondendo a pergunta do título: The Witcher não tem os jogos de poder que tínhamos nas primeiras temporadas de Game of Thrones, você não será surpreendido por reviravoltas ou plot twists. Mas The Witcher vai além em muitos outros aspectos que Game of Thrones não ia em suas primeiras temporadas. E tem aspectos que gostavamos em Game of Thrones, a divisão do protagonismo dos episódios. Se a série continuar nesse ritmo pode até superar Game of Thrones sem dúvidas.

Mas o que posso dizer sem sombra de dúvidas, é que The Witcher é a melhor série de fantasia que vi na Netflix e a melhor que vi esse ano desse gênero.


