CRÍTICA | Carcereiros tem ótimas cenas de ação, mas não acompanha o sucesso da série

Sob direção do brasiliense José Eduardo Belmonte, Carcereiros: O filme, estrelando, Rodrigo Lombardi e o finalista de 18ª edição do Big Brother Brasil, Kaysar Dadour. O filme ainda conta com Dan Stulbach, Romulo Braga e Milton Goncalves. Alem de Guel Arraes como produtor.

O filme começa de forma lenta porém necessária para fazer com que o espectador que não conhece a série, entenda melhor o universo em que o mesmo se passa. Adriano (Rodrigo Lombardi) começa narrando como é o dia-dia dentro do presídio e como funciona seu regime hierárquico, já que lá dentro existe um ‘governo’ que dita suas próprias regras.

Não demora muito para a trama central do filme se iniciar, e é quando sabemos que Abdel (Kaysar Dadour), um terrorista internacional,  passará a noite no presídio antes de ser transferido para responder por seus crimes em seu país.

O protagonismo do filme fica por conta de Rodrigo Lombardi, o ator não demonstra um arco dramático muito interessante, mas suas cenas são responsáveis por inserir o espectador no filme, seja nos momentos mais leves ou nos momentos de tensão. O ator se esforça muito em todas as suas cenas, mas o roteiro o trai, contudo ele se dispõe e faz muito bem tudo o que deve fazem em cada cena. Se ele tem que ser heroico ele é, se tem que controlar a situação, ele controla. O único momento em que seu personagem peca é quando ele tenta ser o personagem ‘brucutu’, porque em momento algum fica claro, que ele tenha realmente habilidade para confronto com indivíduos com treinamento militar, isso acaba tirando o espectador do filme e diminuindo a experiência.

Rodrigo Lombardi em Carcereiros: O Filme

O roteiro do filme é seu ponto mais baixo, do inicio ao meio do filme ele nos faz crer, que se colocasse qualquer astro do cinema ‘brucutu’ dos anos 90 funcionaria dentro do que nos é apresentado, e isso é um ponto positivo, mas o problema é quando o filme tenta se levar a sério demais, o expectador é jogado pra fora dele de uma forma avassaladora, não há problema em fazer uma critica a nosso sistema prisional, que sim é falho, mas o problema é que quando o filme se dispõe a fazer isso, ele não consegue tão bem como fazia na série. Portanto repito, se ele abracasse a proposta de ser um filme genérico de ação estilo ‘brucutu’ teria sido uma ótima experiência.

Um problema claro que o filme tem com certeza é encontrar um final para a sua história, já que ele insere tantos elementos dentro de sua narrativa, que fica muito complicado de aceitar a conclusão que nos é apresentada. A impressão que fica é que o roteirista escreveu tanto que não sabia como concluir, por isso o final parece meio jogado. A o meu ver a história do filme caberia muito bem como uma temporada final para a série, que daria mais tempo de tela para os atores e poderia ser mais bem desenvolvida com o tempo devido.

A fotografia do filme é bonita, e te da a tensão necessária para que você se conecte com as cenas, porém em alguns momentos de cenas de ação, a câmera é muito frenética, o que parece ser proposital, sendo um recurso muito usado em vários outros filmes do gênero, seja para ditar o ritmo do filme, ou para esconder cenas de ação mal produzidas. Em alguns momentos a câmera acompanha os atores com muita proximidade em close’s que mostram suas expressões e a tensão em seus rostos. E em um momento, no patio da cadeia, a câmera parece um personagem do filme se esgueirando por entre os presos para ver o que está acontecendo na cena.

Rodrigo Lombardi e Kaysar Dadour interpretam carcereiro e terrorista internacional na produção de José Belmonte (foto: Ramón Vascocellos/divulgação )

Com exceção de Rodrigo Lombardi, não temos grandes atuações nesse filme. Kaysar Dadour está bem nas cenas que aparece, mas pouco fala, já que seu personagem é um estrangeiro que não fala português, a maioria de seus ‘diálogos’ acontece por meio de gestos e com um inglês arranhado. O resto do elenco pouco aparece então não tem muito a que se destacar.

Carcereiros é um bom filme de ação que poderia ser melhor se não tentasse se levar tão a sério. É uma ótima tentativa do cinema nacional de mostrar que sim podemos fazer filmes de ação, porém o filme peca em coisas simples, com decisões de roteiro questionáveis e por não ter uma conclusão que se encaixe com o que foi apresentado. Mas é uma opção interessante para quem está procurando por um filme de ação como os filmes americanos, mas inserido na nossa realidade.

 

Sinopse oficial:

A dificíl rotina dos agentes penitenciários brasileiros que, mesmo não estando presos, precisam lidar com a vida atrás das grades. Com a chegada de um terrorista internacional, o trabalho de Adriano, um carcereiro contrário à violência, fica ainda mais difícil. A tensão no presídio aumenta e ele precisa controlar duas facções em conflito, sem sair da cola de Abdel. O filme é inspirado no livro de mesmo título, escrito por Drauzio Varella, e a adaptação segue o sucesso da série ‘Carcereiros’ produzida pela Globo, em 2016.

O filme chega aos cinemas nacionais em 28 de novembro.

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