O que aconteceu com o jovem Danny e sua mãe Wendy após os trágicos eventos no Hotel Overlook? Mike Flanagan nos conta as consequências de O Iluminado, após 30 anos dos fatídicos fenômenos, com uma direção nostálgica, em Doutor Sono, seguindo a mesma direção fotográfica e efeitos sonoros que o diretor Stanley Kubrick realizou no longa dos anos 80.
O longa começa ainda em 1980 acompanhando mãe e filho pós fuga da neve gélida e do hotel macabro. Danny (Ewan McGregor) cresce amargo, perigoso, carregando todos os monstros que capturou durantes anos e os adormeceu com ajuda de bebidas e drogas. Perseguido pela maldição que carrega dentro de si, o jovem iluminado se encontra no pior dos cenários.
No entanto, a história não se prende somente a um passado nostálgico, Doutor Sono, por mais que leve este nome por causa de Danny, evidencia que há mais iluminados na terra, crianças. E um perigo eminente, que caminha e circula livremente pela terra há séculos. O grupo Verdadeiro Nó, formado por criaturas que não estão vivas e nem mortas, e que se alimentam do brilho e da alma pura e especial de crianças, é explorado de forma vilanesca e um tanto quanto caricata. A cabeça do bando, Rose (Rebecca Ferguson), é narcisista, poderosa e prepotente. Por mais que seja interessante a observar agindo em toda sua gloriosa vilania ainda assim foi clichê em todos seus discursos e surtos caóticos, quebrando um pouco do efeito pé no chão que o filme antecessor propôs, e transformando em certos momentos em um filme blockbuster de vilã x herói.

O efeito sobrenatural que O Iluminado carrega tem o efeito intensificando somente na visita de volta ao Hotel Overlook. Como um museu que nos teletransporta ao passado, o retorno de Danny ao hotel respeita toda trajetória que foi vivida há 30 anos. Por mais que tenham mudado de atores para representar o casal protagonista do longa antecessor, não é algo que incomode ou atrapalhe o desenvolvimento da história. É compreensível e o esforço na semelhança é visível e causa satisfação.
O longa consegue administrar bem a dose de tensão e terror a todo momento, proporcionando momentos agonizantes e aterrorizantes. Apesar da tentativa de se tornar original, o longa não sai da sombra do seu antecessor. O que não chega ser um defeito tão grande, visto que ele consegue ser por muitas vezes mais assustador em cenas que não dependem dos mistérios do hotel.

Dessa vez tivemos mais explicações quanto ao iluminado e aos seres místicos que caminham na terra, outra mudança no paradigma da história foi a respeito do conceito de ser iluminado. O que antes Danny considerava uma maldição se torna um dom poderoso quando transmite sua solidariedade para a jovem Abra (Kyliegh Curran). A evolução não se restringe aí, o hotel que era um local amaldiçoado e uma prisão para as novas e antigas almas, é transformada em uma arma mortal para a conclusão da história. Tal jogada foi uma homenagem honrosa, respeitando todo percursos traçados anteriormente, ainda assim tentando trazer sua própria versão.
Mesmo sabendo que Doutor Sono tinha um potencial maior do que foi apresentado, ele não deixa de ser um ótimo filme que gerou momentos gloriosamente aterrorizantes.
Doutor Sono está em exibição nos cinemas brasileiros.








