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CRÍTICA | Sintonizada em você mostra que todos nós merecemos uma segunda chance para sermos felizes

O longa sul coreano que estreou no dia 28 de agosto na Coréia, chegou somente na última terça (05) ao serviço de streaming da Netflix. No entanto isso por si só já é uma pequena vitória para os amantes de produções asiáticas que anseiam por conteúdos atuais e atualizados no catálogo.

Sintonizada em Você (ou Tune in for Love) é protagonizado por Jung Hae-In e Kim Go-Eun e dirigido por Jung Ji-Woo. O drama começa em 1994, acompanhando a história do jovem casal que o destino insiste em separar com o passar dos anos.

Tudo começa quando Hyun-Woo (Jung Hae-In) começa a trabalhar na padaria onde Mi-Soo (Kim Go-Eun) trabalhava por meio período. A estudante cria um vinculo afetivo com o jovem, que começa mostrar ser um tanto quanto problemático e com um passado difícil. Logo de início descobrimos que Hyun-Woo é ex-detento, e que tinha acabado de sair do reformatório juvenil. Por mais incomum que isso poderia soar para a jovem estudiosa, Mi-Soo, não a abalou, somente aumentou o interesse pelo ar de mudança que o jovem ansiava em sua vida.

Jung Hae-In como Hyun-Woo

No entanto, por mais que ele quisesse seguir em frente o seu passado sempre batia a sua porta, o lembrando dos erros terríveis que havia cometido. O remorso e a dor também faziam companhia, Hyun-Woo por muitas vezes não se achava merecedor da felicidade e que estava destinado a tristeza, por mais que em muitas outras vezes ele desejava com todo ardor uma vida normal e feliz.

Toda história do protagonista é intensa e dramática, a dor de alguém que guarda tanto remorso e raiva dentro de si traz explosões eventualmente. Todavia, é admirável o quanto o relacionamento com a Mi-Soo o afetou, a possibilidade de ser feliz e de viver no caminho certo fez com que ele focasse em um futuro bom, uma vida normal.

Além do passado do protagonista, o universo não ajudava o casal a ficar junto. Se não era o alistamento militar era um trabalho em outra cidade. A história de um amor repleto de desencontros mas que a trancos e barrancos consegue sobreviver aos males.

A ambientação do longa funciona como uma máquina do tempo te teletransportando diretamente para o fim dos anos 90 de o começo dos anos 2000. Windows 95, Motorola V3, e até mesmo as músicas inundam o telespectador com nostalgia.

Jung Hae-In e Kim Go-Eun

Ao tratar de uma história romântica e dramática, as cenas conseguem trazer serenidade, sendo bastante delicadas e suaves, e ao mesmo tempo traz uma tensão com cenas intensas. Não é preciso um beijão para captar a essência e o amor feroz do jovem casal. Em certos momentos, o silêncio e o olhar dos personagens é tão íntimo e intenso que chega transbordar sensualidade. A química dos atores com a adição da fotografia renderam momentos que irão deixar os fãs de dramas sul coreanos com as bochechas ardendo!

A conclusão do longa pode não ser totalmente satisfatória para a maioria, porém o significado e a sensação que traz acalenta o coração. Todos merecem a chance de ser feliz, todos merecemos uma segunda chance. Ao notar a perspectiva do outro, se colocar no lugar do outro e vestir seus sapatos, podemos ganhar uma nova visão diante da situação. E é isso que aconteceu. A paixão se transformou em amor maduro, a dor e a mágoa deram espaço para um futuro potencialmente feliz e calmo como a relação dos dois que progrediu durante todos aqueles anos até chegar naquele momento. Os dois haviam crescido, amadurecido finalmente prontos para serem a luz um do outro.

O filme é uma boa pedida para quem gosta dos trabalhos anteriores de Jung Hae In (como Something in the Rain ou One Spring Night), um filme romântico, suave e bastante íntimo.

Sintonizada em Você está disponível na Netflix.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=O2x8gaL5Omw]

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3 Comentários

  • Os atores são muito bons e a trama bem elaborada. O protagonista consegue transmitir, com precisão todas as emoções que devem chegar até nós. Ele é muito bom.
    Entendo as enormes diferenças culturais, mas acho meio surreal que jovens, nascidos e vivendo num país moderno, altamente tecnológico e conectado com o resto do mundo (especialmente com os EUA que os “protegem” do insano coreano do norte, com bases militares), mesmo sozinhos em casa, não cedam a tentação do toque, do beijo, etc. Principalmente considerando que são jovens com hormônios à flor da pele não sucumbam às exigências do corpo.
    Dá a impressão de que a Coreia ou não entrou ainda no século XXI – apesar de toda conectividade e modernidade que desfruta – ou é formada por uma população jovem de santos e castos.

  • Acabei de assistir e ainda estou impactada comesse roteiro que privilegia os sentimentos da alma e não os prazeres do corpo! A sensibilidade do tema gradativamente nos eleva àquele patamar sensível de nossa existência, a do amor que nos acalenta, consola, alegra!

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