A série espanhola que conquistou uma grande fanbase fiel retornou no mês de setembro para sua segunda temporada. Depois do sucesso da primeira temporada (você pode conferir a nossa crítica aqui), Elite traz o mesmo elenco da sua temporada antecessora, com exceção de María Pedraza (que interpretou a Marina). Porém novas adições foram feitas ao elenco principal que agora conta também com as atrizes Georgina Amorós, Claudia Salas e o ator Jorge López.
Se na primeira temporada nós conhecemos os personagens e a motivação do assassinato de Marina, na segunda nós podemos observar as consequências da morte da jovem adolescente.
Temas oriundos dos atos da primeira temporada foram abordados nesta temporada, no entanto novos arcos foram inseridos para dar suporte a história principal. A relação de Lucrecia e Valerio foi uma das surpresas da temporada, o choque inicial não foi o grande plot da história dos dois, e sim a evolução e a descoberta pessoal de cada um dos personagens.
Apesar do vai e vem cansativo entre os personagens Guzan e Nadia, a série conseguiu no fim explorar não só a religião da personagem, mas como ela influencia o seu modo de agir e como que algo que a retrai pode também se tornar algo tão reconfortante, fazendo com que ela ache que é o que precisa naquele momento. Um grande paradoxo religioso, bastante complexo.
O diretor da série conseguiu focar nos elementos mais intensos e dramáticos ao longo dos episódios, tentando tirar um pouco do teor sexual que a sua temporada antecessora teve (e muito). Não quer dizer que nesta não houve cenas quente, houve sim e melhor dirigidas, no entanto não se tornou o foco principal.

O senso moral e a culpa corroeu e acabou desmoronando certos personagens. Carla, por exemplo, foi melhor desenvolvida nesta parte da história. Toda a teia que a envolvia, em um relacionamento doentio com seu pai, começou a ser dissolvida fazendo com que tomasse atitudes pensando mais em si do que nele propriamente dito. Elite poderia ter dado uma atenção maior para a relação dos dois, no entanto o que foi mostrado conseguiu ser suficiente para o entendimento.
A medida que Omar se libertava cada vez mais das amarras que o prendia, descobrindo quem realmente era e explorando sua sexualidade; Ander se tornava alguém retraído e mentalmente destabilizado após descobrir a verdade sobre a morte de Marina. A culpa e a liberdade andam de mãos dadas como Ander e Omar.
No geral todos os personagens tiveram seus altos e baixos em uma história contínua que teve poucas enrolações. No entanto o final, que tinha de tudo para continuar surpreendendo depois da revelação do paradeiro de Samuel, acabou sendo previsível repetindo o efeito do fim da primeira temporada.
É claro que um jovem riquinho com influência não iria ser preso. Essa decisão óbvia, e um tanto preguiçosa, faz com que cheguemos a conclusão que a série se rendeu a formula de enrolar o espectador para gerar mais temporadas (e consequentemente dinheiro aos envolvidos, é claro). O que é uma pena, porque a série havia mostrado ser única.
Isto não quer dizer que a qualidade da série diminuiu, pelo ao contrário, em diversos aspectos a trama mostrou ser mais envolvente, interessante e dramática. A temporada ainda vale a pena ser assistida, porém com um pé atrás e uma pergunta… Será que a terceira temporada irá manter este mesmo ritmo envolvente ou irá se render a enrolações e ‘enchições’ de linguiça como a maioria das séries que conseguem um sucesso avassalador e repentino.
A 2ª temporada de Elite está disponível na Netflix.
Confira as críticas da primeira e terceira temporada.








