A edição deste ano no Rio de Janeiro deu o que falar. Repleta de representatividade, abordando temas como afrofuturismo, padrões de beleza, pautas LGBTQ+ e destaque para cultura asiática, a Bienal de 2019 reuniu grandes debates inclusivos e importantes para sociedade em que vivemos.
Apesar do debate ser riquíssimo e reunir grandes personalidades do movimento negro, atribuindo conhecimento e gerando empatia para aqueles que os assistiam, não havia representação fora dali. Os stands não acompanharam a representatividade do evento e não se esforçaram para divulgar livros relacionados ao tema.
Apesar de ter muitas promoções e preços acessíveis ao público, outro ponto negativo do evento foi a falta de novidade dos stands, a última edição no Rio de Janeiro foi inovadora e trazia inúmeros stands interativos e novidade para os leitores. Infelizmente nesta edição a maioria das empresas não se prepararam o suficiente para atender a necessidade de entretenimento do público. Todavia o pavilhão laranja, que era focado no público infantil, foi excepcional e atendeu todas as expectativas do seu público alvo. Com uma imersão em floresta artificial ou com um stand incrível da Turma da Mônica, o público mais jovem se entreteve durante os 10 dias do evento.
Bem no centro do evento havia um local especial para celebrar a cultura japonesa, oficinas de origami, instruções para intercâmbios e uma exposição ímpar de ilustrações incríveis, eram alguns dos destaques do stand. Muitíssimo bem elaborado e projetado, além de ser extremamente confortável, o ambiente era amistoso e agradável, ótimo para passar algum tempo aprendendo mais sobre a cultura oriental.
Como já é de conhecimento de todos, no último fim de semana do evento o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, tentou censurar material LGBTQ+ da Bienal, no entanto, depois de intervenções, do público e da Bienal, todos conseguiram tirar o melhor desta situação. Livros do gênero foram doados, faturamento de alguns stands chegaram a triplicar, a HQ da Marvel (o objeto inicial da censura) se esgotou. E isso tudo aconteceu justamente no fim de semana da representatividade LGBTQ+.
Toda a movimentação e ação do público combinado com a Bienal foi definitivamente um dos pontos altos do evento, que não se omitiu e tomou partido quanto a situação vergonhosa proporcionada pelo prefeito da cidade.
Definitivamente esse foi um ano de grandes pautas e principalmente a visibilidade que elas tiveram. Bienal é um evento que proporciona não só o interesse pela leitura, mas a troca de conhecimento. E não há um evento melhor para servir de palco para temas que foram debatidos.
Cerca de 600 mil pessoas visitaram a Bienal neste ano, que ocorreu entre 30 de agosto a 8 de setembro. A estimativa da Bienal é que mais de 4 milhões de livros tenham sido vendidos e mais de 600 mil pessoas visitaram o evento. As informações são da Folha de São Paulo.






