Em um sábado a tarde, a Bienal proporcionou a seus visitantes um debate caloroso e emponderado reunindo 5 personalidades negras fortes e influentes. Composto por Giovana Xavier, Crica Monteiro, Jennifer Dias e Renato Cafuzo, tendo como sua mediadora Ana Paula Lisboa, o debate abordou além do conceito teórico da palavra “afrofuturismo e afrofuturo”, as vivências e a importância do saber se fizeram presentes naquela tarde.
Pode-se dizer que o afrofuturismo é um movimento artístico que demanda a projeção de um futuro negro a partir de sua ancestralidade. A importância do conhecimento da onde nós vimos influencia diretamente para a caminhada do nosso futuro. Conhecer a sua história é conhecer a sua verdade. O que torna difícil para a comunidade negra é que sua história foi apagada com os séculos de abusos e escravidão ao redor do mundo. Ainda é mais difícil para os nativos americanos obter o conhecimento de sua ancestralidade, saber de onde veio para assim saber para a onde irá.

A arte desempenha um papel fortíssimo nessa caminhada, em todas as suas formas, na literatura, na música, no cinema, nas pinturas. A arte tem o poder de potencializar a voz que antes não era escutada, além disso a arte tem o papel de se impor e marcar a história, com o intuito de não faze-la sumir novamente.
Uma das frases mais impactantes que escutei durante o debate foi: “O grande planejamento do movimento negro é se manter vivo.” Essa frase vai além do que ela aparenta ser. Além das taxas de mortalidade dentro da comunidade negra serem assustadoramente altas, a história do negro luta para se manter viva. É decepcionante quando notamos que nas grades curriculares são poucas (para não dizer nulas) matérias que instruem e explorem histórias de grandes mulheres negras por exemplo. Em uma sociedade que ainda tem raízes racistas, o método educacional tende a fazer de tudo para que a história do negro não se torne relevante.
O conhecimento da história dos negros, da sua história, é relevante e influencia diretamente na sua jornada e futuro. O auto conhecimento, o sentimento de saber onde é seu lugar, a representatividade (não apenas na arte, mas na vida real) é de suma importância para um ser humano mais consciente de quem ele é. A partir do momento que a sociedade tira dele essa oportunidade, do auto conhecimento, a história acaba ficando fragilizada, e é nessa hora que a luta do “se manter vivo” grita e ecoa pela comunidade negra.
O debate foi muitíssimo bem conduzido e proporcionou para esta que vos fala uma reflexão de dias, uma reflexão interior e um paradigma que jamais irá esquecer.
A bienal deste ano foi repleta de diversidade e inclusão, e este espaço cedido ao debate sobre a importância do movimento negro foi definidamente um dos pontos altos do evento literário.





