CRÍTICA | Será que realmente vale a pena assistir Homem Aranha: Longe de Casa no cinema?

E mais uma vez temos o herói da vizinhança de volta às telonas do cinema. O 2º filme solo do Homem Aranha no universo MCU trouxe novamente o mesmo diretor de seu antecessor, o cineasta Jon Watts, e também parte da equipe de roteiristas que trabalharam no longa anterior, Chris McKenna e Erik Sommers.

A respeito do estrelato e protagonismo de Tom Holland, não há o que se dizer. O ator se encaixa perfeitamente no novo aranha proposto pela Marvel, neste longa principalmente, é evidenciado o lado divertido e pateta do herói, algo que estava apagado devido aos últimos acontecimentos bem sérios do universo.

Logo no começo do filme é explicado o que aconteceu com aqueles que “viraram poeira” depois do estalar de dedos do Thanos em Guerra Infinita. O mundo chama de “blip“, quem sofreu o blip voltou 5 anos depois com a mesma aparência e a mesma idade, enquanto aqueles que permaneceram ali cresceram e envelheceram. Uma explicação convincente (e um pouco necessária) depois de todos terem questionado após o primeiro trailer de Homem Aranha: Longe de Casa, onde mostrava os amigos de Peter com a mesma aparência de antes do blip.

A relação do Peter com seus amigos fornece um equilíbrio ao filme, e principalmente evidencia a dualidade que o herói enfrenta. Ter uma vida normal ou ser herói? Qual é o que detém de mais importância pra si? As coisas não estão mais simples para o amigo da vizinhança e isso é deixado claro neste filme. Durante um bom tempo da trama, Peter se mantém dentro de dois dilemas, um deles é este, o que faz o herói gerar mais identificação além de trazer a essência que amamos do cabeça de teia. Essa valorização que ele tem sobre o lado normal da vida dele e mostrar como é complicado ele lidando com as suas prioridades, no fim das contas ele ainda é um adolescente. Por mais que na manhã ele tenha lutado com um super vilão, ele ainda vai tentar chegar no encontro com os amigos mais tarde e ser um jovem normal.

É notório que a qualidade visual e os efeitos especiais deste filme são superiores ao seu antecessor. Algo que você nota de cara é o balançar do herói enquanto realiza suas atividades heroicas, parece um detalhe bobo, mas faz uma diferença imensa. O balançar e as coreografias no ar estão mais realistas e atentas aos detalhes. A caracterização dos personagens segue a mesma linha, se já era incrível no filme anterior, neste a tendência foi somente em melhorar.

É necessário evidenciar que, finalmente, neste longa exploraram mais o sentido aranha do herói. Em uma cena (que remete muito a uma cena específica da animação do aranha) Homem Aranha ao tentar derrotar seu inimigo utiliza seu sentido aranha para tal feito, e é simplesmente excitante e animador para todo fã de quadrinhos. A cena foi feita impecável e uma das mais emocionantes do filme.

Infelizmente filme peca em ser previsível e pela falta de originalidade. Durante o começo da trama é possível notar o desenrolar dela com facilidade, a única coisa que consegue surpreender o espectador são os efeitos visuais que realmente se destacaram principalmente nas cenas de ilusão orquestradas pelo Mysterio (Jake Gyllenhaal). No entanto se restringe a isto, visto que até mesmo os plot twist não se tornam tão impactantes por conta da previsibilidade já mencionada.

Algo que deixa um grande incômodo é a naturalidade em que a Tia May (Marisa Tomei) lida com o fato de seu sobrinho ser o Homem Aranha. A naturalidade é tanta que ela mesmo coloca o uniforme do herói em sua mala, ela o incentiva e não demonstra preocupação, o que causa certa estranheza devido ao que sabemos da personagem.

Outro ponto negativo do longa é a necessidade que colocaram em cima deste Homem Aranha da presença do Homem de Ferro, e sua influência. Durante todo o tempo o Aranha vive na sombra do Homem de Ferro, e o peso de ser o sucessor ou o escolhido para ser o responsável pela nova geração de Vingadores. O que dá a entender é que toda relevância e peso do herói depende exclusivamente do impacto gerado pelo Homem de Ferro, e não pelo seu mérito próprio. O que é uma pena, pois não vimos a ascensão do herói nem sua caminhada impactante para honrar o manto.

Nesta sequência, era de se esperar um filme sobre o herói da vizinhança, mas o que ganhamos foi uma sequência de Vingadores sem os Vingadores. Os conflitos ainda são de dimensão mundial, e por mais que o herói se mantém preocupado com os civis (uma das características que amamos no aranha), parece que aos poucos ele está se desvencilhando da imagem de um herói regional conhecido pelos policiais e vizinhos do Queens.

O que falta neste novo Homem Aranha é a independência que lhe foi tirada. A desvinculação do herói com Homem de Ferro é necessária para sua trajetória individual e principalmente para o desenvolvimento fiel e emocionante do herói da vizinhança.

Homem Aranha: Longe de Casa é um bom divertimento, mas não consegue ser melhor que De Volta ao Lar, peca em se manter na zona de conforto e se apoiar em  ótimas cenas, porém isoladas. A sombra de Tony Stark ainda paira sobre a vida de Peter e isso já se tornou um recurso cansativo. Tenho esperanças que o futuro do Aranha de Holland seja brilhante e com um rumo próprio, ao contrário do cenário atual.

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