The Rain é uma produção dinamarquesa original da Netflix criada por Jannik Tai Mosholt. A série que estreou ano passado, é estrelada por Alba August, Lucas Lynggaard Tønnesen e Mikkel Følsgaard. Em sua primeira temporada trouxe 8 episódios, já em sua segunda temporada, que estreou na última sexta (17), trouxe somente 6.
O drama-suspense em um mundo pós-apocalíptico traz na primeira temporada a história dos irmãos Simone (Alba August) e Rasmus (Lucas Lynggaard Tønnesen) que viveram durante 6 anos em um bunker depois que uma chuva matou misteriosamente todos que eles conheciam. Depois de se encontrarem com um grupo liderado por Martin (Mikkel Følsgaard) eles caminham para a descoberta do mistério da chuva.
Na segunda temporada é explorado o poder do vírus que matou a população, e que habita dentro de Rasmus. O plot da série gira em torno do crescimento e desenvolvimento desse vírus, que de antemão aparenta ser algo indomável e fora do controle de seu hospedeiro. Apesar desse arco principal ter sido bem desenvolvido e explorado, as histórias acessórias a principal foram desleixadas e por muitas vezes colocadas apenas pra fazer tempo de tela, não tendo finalidade alguma.
Os acontecimentos da segunda temporada são logo após o final da primeira, e por mais que tenham desenvolvido a história, da a sensação que eles ainda estão no mesmo ponto da onde se encerrou a trama anteriormente. Como se fosse uma segunda parte da primeira temporada.
Os personagens secundários que já conhecíamos como Lea (Jessica Dinnage) e Jean (Sonny Lindberg) foram rasos e estagnaram na história. Quando os outros evoluíam na trama e procuravam manter-se relevantes, o casal ficou vivendo por vários episódios o mesmo dilema que não interferiu no desenvolvimento da história. Por mais que o dilema em si tenha sido bom pra Lea, ele se prolongou mais do que o necessário, o que fez ser cansativo.
Em contra partida, não exploraram o suficiente os novos personagens. Com o conhecimento da organização de cientistas e soldados que pretendiam capturar Rasmus, um novo lado da história ficou disponível para ser explorado na série, o que não foi feito. De maneira bem superficial foi caminhando no ponto de vista de alguns cientistas, porém somente o que dizia a respeito de Rasmus, o paciente zero. Bem como os soldados e cientistas de Apollon.
Eles tentam vender que Apollon é a grande ameaça, mas a falta de conteúdo sobre eles faz com que eles se tornem apenas meros coadjuvantes sem tanta importância assim. Já o vírus, que é explorado constantemente e gradativamente, se torna um grande e maior vilão da série, fazendo com que você tema e que você ao mesmo tempo torça para descobrirem mais daquilo.

Como na primeira temporada, eles tentam novamente trazer um par romântico para o paciente zero. Infelizmente se torna incoerente a forma como é feito. No desenrolar deste arco, parece que Rasmus não demonstra na mesma intensidade os sentimentos por Sarah (Clara Rosager) dando a entender em diversas vezes que aquilo é por pena, dada as condições. Por mais que queiram vender um romance adolescente e avassalador não é isso que aparenta. Além do mais, o romance entre os dois acontece de forma repentina e sem sentido, visto que Rasmus é responsável pela morte de alguém muito especial na vida de Sarah, de uma hora pra outra ela passa de ódio a amor, sem nenhuma coerência. Toda a caminhada dos dois pareceu ser descartável e sem importância alguma, pois havia meios diferentes e mais interessantes pra chegar na finalidade que eles propuseram. A caminhada dos dois parecia andar em círculos, servindo apenas para passar tempo enquanto outras coisas mais importante aconteciam.
O papel de Patrick (Lukas Løkken) nesta nova temporada foi melhor e mais interessante do que na temporada anterior, por mais que não tenham usado (até agora) todo o conhecimento que ele adquiriu no decorrer da história, ele não foi deixado de lado muito menos ficou estagnado. Enquanto uns procuravam a cura, ou tentavam não morrer, foi ele que começou a explorar o local e descobrir passagens e lugares, que foram utilizadas a seu favor, armas e vídeos, que podem ser úteis mais pra frente.
Ao mesmo tempo é frustrante, com tanta informação que ele adquiriu nenhuma foi relevante o suficiente pra história. Foi como se eles fossem dando pistas e novidades a esmo, tendo em vista que nenhuma informação ajudou eles quando era preciso. Soa como um descaso com a montagem da série, e um risco pois estão se apoiando em uma futura temporada, quando a renovação ainda não é certa.
A série também se apoia em meios clichês para dividir o elenco principal. Uma briga, uma verdade que vem a tona em um momento importante, tudo para desfazer o grupo que se mantinha unido. A falta de criatividade faz com que fique previsível certos resultados.
Não há do que reclamar da atuação das atrizes dessa temporada, todas, sem exceção, foram incríveis e forneceram cenas imersivas e intensas. Alba August se manteve em um crescimento gradativo conforme a história se avança, mas os destaques foram Evin Ahmad e Natalie Madueño, que interpretaram Kira e Fie respectivamente. Por mais que tenham tido um tempo menor de tela, seus papéis influenciaram diretamente na história e seu desempenho foi louvável.
Outro ponto positivo na série foi a manipulação que Apollon fez na população, tornando não só o vírus ou eles como empresa uma ameaça, e sim a população sobrevivente. Rendeu momentos de tensão, e gerava consequências intrigantes.
Nesta temporada eles exploram mais o suspense do que na primeira. Por muitas vezes utilizam métodos, clichês mas eficazes, de suspense que fazem o espectador ficar mais preso na história.
Por mais que esta temporada tenha apresentado alguns defeitos a respeito de seus personagens e histórias secundárias, a sua história principal foi mais interessante e mais surpreendente do que foi mostrado na primeira temporada. O desenvolvimento da relação vírus e hospedeiro foi algo que ganhou um foco e uma elaboração maior, e por mais que certas vezes tenha atrapalhado nas histórias acessórias, foi um belo preparativo para o que ainda há por vir.
O final da série ganha um cliffhanger, a respeito não só do futuro do Rasmus mas como a adaptação dos humanos ao vírus. Um movimento ousado dos responsáveis pela série, pois se não houver uma nova temporada esse final não será intrigante e sim decepcionante.
Todos os episódios estão disponíveis no catálogo da Netflix.








