No decorrer dos anos tivemos muitas séries que abordam o mistério e o desaparecimento, temos bons exemplos como: Lost, Under The Dome, ou até mesmo The Walking Dead já que a série ainda não revelou os eventos que levaram até o apocalipse zumbi. O que é característico desse gênero de série é justamente o fato dos personagens se verem em uma situação extrema na qual eles não conseguem entender como chegaram nela, e acabam tendo que conviver juntos para o bem maior: a sobrevivência de todos. Considerando a possibilidade que podem se esbarrar e até mesmo lidar diariamente com estranhos ou até mesmo desafetos de uma ‘vida anterior’ quando ainda existia uma sociedade (moderna).

Recentemente a Netflix lançou sua própria série nesse estilo, mas dessa vez com adolescentes. Ao contrário do que muitos podem estar pensando ela vai na contra mão de uma série típica de adolescente.
Bom vamos a trama, a série começa bem no clichê de tramas adolescentes, com muita festa e intrigas por popularidade, mas as coisas mudam quando misteriosamente os formandos do ultimo ano somem no meio de uma excursão quando são surpreendidos por uma forte chuva que interrompe a viagem, é então que quando os adolescentes voltam para a cidade e não encontram mais ninguém deixando o destino dos jovens incerto.

Baseada no livro O Senhor das Moscas, The Society tem um bom desenvolvimento de seus personagens, além de mostrar ser uma série bem mais profunda do que a maioria das séries adolescentes, com muitos dilemas morais e muitas vezes abordando assuntos considerados tabu, como: homossexualidade, gravidez na adolescência, relacionamento abusivo e depressão. No entanto a série se torna lenta e arrastada em alguns momentos, principalmente no meio, focando muito em dilemas morais e sempre evidenciando o quanto aquilo pode mexer com o personagem, o que se torna até um pouco tedioso quando os personagens insistem em cometer os mesmos erros, quase que andando em círculos. Sem contar com algumas decisões de roteiro, quando não fica exatamente claro a intenção de alguns personagens em especifico.
Mas algo que é indiscutível é o desenvolvimento dos personagens principais, que diante de situações extremas mostram um amadurecimento muito bom além de deixar claro que aprendem com seus erros, por saberem que qualquer erro dentro desse local pode ser fatal dentro da “nova sociedade”.
O que é muito interessante é a maneira como eles constituem sua sociedade, estipulando regras de convívio como: limpeza, recolhimento do lixo, cozinha, segurança entre outros. Tudo com o intuito de evitar o caos, a barbárie, um retrato de como as sociedades modernas nasceram, com princípios morais e regras de convívio.
A série usa muito bem o suspense para deixar dúbia a intenção de certos personagens ou até mesmo o fato deles estarem naquele lugar, principalmente o fim da primeira temporada, que lembra muito o momento em que os habitantes da ilha de Lost percebem que não estão sozinhos.
O roteiro as vezes é preguiçoso e subestima a percepção do espectador, quando os personagens estão tratando de algum tema sério, suas falas ficam muito explicadas, o que torna a narrativa muito mecânica em alguns momentos, ainda mais quando os personagens param para fazer ‘discursos’ muitas vezes desnecessários.
É importante que uma série que tem um público alvo jovem, deixar claro o discurso sobre determinados assuntos como: homossexualidade, gravidez na adolescência, empoderamento feminino, ou relacionamentos abusivos. É interessante ver que a série se preocupa em deixar seu posicionamento sobre isso, mas esse posicionamento poderia ser feito de forma mais natural.
Do meio pro fim o enredo da uma guinada muito boa trazendo ‘plot twists‘, muitas reviravoltas e alternância de poder. Além de mostrar que há muitos mais mistérios a serem revelados na sua segunda temporada, reafirmando o conceito estabelecido no começo desse texto de que essa série é bem mais que uma simples série adolescente.
The Society já se encontra disponível no catálogo da Netflix, não deixe de conferir.










