O cenário cinematográfico nacional foi contemplado com mais uma obra de Pedro Amorim. O diretor teve em mãos uma história que tem o potencial de atingir todas as faixas etárias. O tema abordado em “Eu sou mais eu” não é inovador, mas a forma pelo qual ele foi feito foi o elemento inovador. A pauta “amor próprio” e “aceitação” estão cada vez mais em destaques em todas as mídias, o diferencial que o filme trouxe foi a sua abordagem que misturou nostalgia com elemento da amizade.
Um dos movimentos mais inteligentes para a divulgação e até mesmo para prender atenção do espectador, foi a adição de uma música original ao filme. A música que tem como nome o mesmo título do filme, é chiclete e permanece na sua memória por horas. Isso com certeza foi um golpe de marketing muito bem feito, pois une a divulgação do filme com o desenvolvimento da história, tendo em vista que a protagonista é uma pop star.
Apesar da temática teen, o filme se passando num colégio no ensino médio, com a presença de bullying e dramas pelo qual todo adolescente passou ou vai passar, o filme atinge um público bem amplo. O colégio e a adolescência não é o ponto principal do filme, a auto aceitação que é. Não importa qual idade você esteja, por onde você esteja, ou com o que você está lidando – seja bullying no colégio ou no ambiente de trabalho – o filme consegue o feito de mandar a mensagem com louvor.

O protagonismo de Kéfera Buchmann neste filme foi excepcional. A personagem é cheia de camadas, e mesmo em sua pior camada ela gera identificação e empatia. O seu companheiro João Côrtes foi uma adição perfeita para a criação da dupla de amigos desajustados e excluídos. Kéfera conseguiu se firmar (ainda mais) como atriz, e se desvencilhar do rótulo “youtuber”. A atriz deu vida a um dilema que todo jovem atual tem, o de se reafirmar para os outros, o de se manter notável com os propósitos errados.
Além da mensagem importantíssima que o filme traz, é impossível deixar de lado o lado cômico do filme. A risada é garantida, de um jeito leve e natural. O humor não é forçado ou escrachado, as piadas acrescentam no desenvolvimento da história e são inseridas em momentos certeiros.
Como o filme traz a temática de viagem no tempo, é óbvio que a nostalgia viria como uma a avalanche. Se você tem idade o suficiente para lembrar de como foi em 2004, você vai entender as referências do filme. Além das piadas, roupas e acessórios – inclusive tecnológicos –, a trilha sonora funciona como uma máquina do tempo. MC Marcinho, Rouge, DeFalla, Pitty são um dos artistas que fizeram parte do repertório do filme.
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Um dos pontos fracos do filme foram as pontas soltas que foram deixadas. A mais triste que não obteve uma conclusão satisfatória foi o desenvolvimento com o avô de Camila. Durante a trama foi alimentado que a relação de Camila com seu avô (Arthur Kohl) era bastante importante e foi retratado como eles eram próximos, e como a morte de seu avô mexeu com ela quando adulta.
No entanto a última cena da Camila como adolescente com seu avô foi uma briga, não houve um desfecho com seu avô, nem uma redenção, ou algo que acalmasse seu coração e a trouxesse paz futuramente. Para uma relação que era de suma importância, não foi dada a atenção devida, nem o desfecho desnecessário. Faltou alguma cena entre os dois que fizesse a protagonista balançar e definir o trajeto final do longa.
Apesar de haver uma cena que Camila descobre sobre a verdade do estado de saúde do seu avô, ela foi colocada no momento errado, e não causou o impacto suficiente.
[fim do spoiler]
O filme encerra com a protagonista conseguiu atingir o seu objetivo final encontrando o seu verdadeiro eu, além disso concluiu com a mensagem clara e encerrando com chave de ouro com a música final. “Máscara”, música original da cantora Pitty, foi a cereja do bolo. Além da performance energizante de Kéfera, a música contribuiu para deixar claro a mensagem do filme. Mesmo que seja estranho, seja você. Até porque não há nada melhor do que ser você mesmo.
Como um todo a obra é divertida, apesar de poucos tropeços é um grande adendo para cinema nacional. O diretor conseguiu capturar toda essência dos dilemas dos adolescentes sem tornar clichê e mantendo atual, mesmo que o filme se passe há 15 anos. Os atores deram vida a uma mensagem que precisa ser debatida. Com certeza esse é um filme que é vale a pena assistir.
O filme já está em cartaz nos cinemas do Brasil.