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CRÍTICA | Creed 2 trouxe para o cinema os valores familiares e executou de forma primorosa

 

Depois de 3 anos, Creed chegou novamente mostrando toda majestade e sabedoria de Rocky (Sylvester Stallone) e os movimentos ágeis de Adonis Johnson (Michael B Jordan).

No primeiro filme trata da busca de Adonis por um lugar onde ele se encaixasse, e ao encontrar no boxe, lutou contra o seu sobrenome e a história do seu pai. Até lutar pelo seu lugar, e garantir isso com seus punhos – literalmente.

O segundo filme é na verdade um filme sobre família. Os valores familiares, a bagagem familiar, o perigo e o benefício de uma influência familiar e principalmente reatar com suas raízes.

É mostrado no primeiro filme que Rocky hoje é um homem sozinho. Sua esposa faleceu, e ele não mantém contato com filho. Rocky encontrou em Adonis um novo recomeço, uma chance de mudar o que ele já havia colocado em mente ser inevitável, a solidão. E é por isso que a cena final se torna emocionante, Rocky encontra sua redenção pessoal e se permite buscar a felicidade.

Depois de ganhar o cinturão, Adonis está vivendo o seu sonho. Lutando como nunca, invicto, amado e glorificado pelos fãs. Até que uma dívida antiga bate à porta. Drago (Dolph Lundgren) quer vingança, e usa seu filho Viktor (Florian Munteanu) como instrumento para tal.

Lundgren trouxe a essência do vilão russo de volta paras telonas, assistir a rivalidade entre Drogo e Rocky, mesmo que indiretamente, foi como um banho de nostalgia para os fãs da franquia. A escolha do lutador Florian Munteanu para viver o filho do temido lutador foi um acerto em cheio, o lutador mostrou-se ser um ótimo ator e nos proporcionou intensas cenas e uma imersão diferenciada.

Drago teve uma vida de rancores e dor, depois de matar Creed no ringue e perder uma luta para Rocky logo em seguida, ele passou de amado para odiado. Agora ele buscava dar a mesma humilhação para Adonis e sucessivamente Rocky, e reconquistar seu lugar no topo.

Neste duelo de gigantes não é possível determinar um vilão e um mocinho, tendo em vista o trajeto de cada um até o ringue. Viktor foi extremamente maltratado durante toda sua vida, e nada além de ódio e rancor foi plantado dentro de si pelo seu pai. Viktor não tem nada a perder, pois não possui nada. Como Rocky mesmo diz no filme; ele se torna um adversário perigoso. Sem essa construção por trás do personagem, seria impossível esse conflito entre o bem e o mal, não entre Viktor e Adonis, e sim dentro de você mesmo pois é levantado o seguinte questionamento: O que seria o bem e o mal?

Neste longa é esperado que Adonis tenha amadurecido depois da sua jornada no primeiro filme, no entanto não foi isso que aconteceu. Ele cede facilmente as provocações de Viktor, e como previsto, perde a primeira luta entre os dois. Esse é o grande divisor de águas no filme, por mais que Viktor tenha perdido tecnicamente, o ego de Adonis agora estava ferido. Ele sabia que não era mais o melhor.

Adonis é puxado para o fundo do poço, se entregando para todo o sofrimento que aquela luta lhe trouxe. Havia manchado não só o seu nome, como o de seu pai e de Rocky. Em sua cabeça, é claro, agora era um perdedor. A forma como foi abordado o sofrimento mesclado com desespero do protagonista, foi sublime e delicado. Ao mesmo tempo em que Adonis se mantém frio e distante, a dor transparece em suas atitudes.

Isso muda com a chegada de sua filha, Bianca (Tessa Thompson) dá a luz a primeira menina do casal. Além das partes cômicas que aliviaram a trama no decorrer do filme, a relação de Adonis com sua filha é mostrada com delicadeza e inspiradora. Naquele momento ele muda, muda por amor, muda por desejo de ser alguém melhor. Alguém melhor para sua família.

A forma com que o lutador volta aos ringues é extremamente revigorante, deixando todos que estão assistindo completamente extasiados. Rocky além de um magnifico lutador, é um grande treinador. Ele prepara seu protegido, não só fisicamente, mas também emocionalmente. Adonis evoluiu não só como lutador, mas como pessoa.

A importância dos laços familiares é evidente. Manter quem amamos por perto nos fortalece, e é evidente a evolução interior e exterior não só de Adonis, como de Rocky.

A luta final mantém um ritmo que prende o telespectador com os olhos vidrados no filme. Não há momento para distração, você vive aquele momento junto com os lutadores. Os slow motions são utilizados na dosagem certa e nos momentos cruciais. Você vibra, torce, grita, você está vivendo aquilo junto com os lutadores. Sem dúvidas é uma das melhores lutas já filmadas para o cinema.

Há de salientar a trilha sonora, e a competência da Tessa Thompson. A atriz mostrou que além de ser uma ótima atriz, também é uma ótima cantora. A atriz canta “Midnight”, uma das músicas da trilha sonora, e sua performance no filme eleva o nível do longa. Mike Will Made-It, também fez um belíssimo trabalho produzindo a trilha sonora. Todas as músicas se encaixam perfeitamente em suas cenas, não há nenhuma desconexão. As músicas ajudam a intensificar os momentos ali expostos.

Steven Caple Jr recebeu um desafio em mãos ao pegar uma obra que já havia começado na visão de outro diretor e conquistado uma nova legião de fãs – além de manter os antigos fãs do Rocky, porém trouxe a essência do que já foi mostrado em 2015 pelo Ryan Coogler, com sua assinatura. O diretor na verdade elevou o nível das lutas, a dinâmica das cenas e a fotografia foram para um patamar elevadíssimo ao que já tinha sido transmitido para os fãs.

Como um todo, Creed II é uma obra revigorante. Trouxe para o cinema os valores familiares, e a importância da família. Trazer isso como background em um filme de luta é enobrecedor. E manter o equilíbrio entre dois assuntos é algo que deve se parabenizar Steven Caple Jr. O diretor além de dirigir com maestria as cenas de luta, trouxe naturalmente os dramas familiares para o longa. Uma perfeita harmonia para um filme que irá tocar toda a família.

 

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