Viver uma personagem cujo a lendária Barbra Streisand viveu não é uma tarefa fácil, no entanto Stefani Joanne Angelina Germanotta, mais conhecida como Lady Gaga, honrou e ao mesmo tempo inovou este papel, a mulher que nasceu para o estrelato, Ally.
O musical “Nasce uma estrela” é algo que o cinema ansiava, um musical que tirasse o fôlego da audiência e que os emocionassem na mesma intensidade. Algo que abalasse as estruturas até daqueles que não são fãs de musicais. O sentimento gerado durante o filme é gradativo, ao ponto de explodir antes mesmo que o filme acabe, fazendo com que você externe todo aquele sentimento criado dentro de si na forma que você se sentir melhor, por lágrimas ou por uma sensação de êxtase que te inunda.
Grande parte disso tudo é responsabilidade da música, que cria um ambiente perfeito para transmitir diferentes fases dos personagens, agregando na história e fazendo com que a experiência seja mais intima e imersiva.

Ally, personagem interpretada por Lady Gaga, tem um desenvolvimento no filme contado através de suas músicas e sua mudança no decorrer da trama, juntamente com sua aparência. No começo do filme é apenas uma jovem, morena, que canta por diversão devido a sua descrença para o estrelato. Então nesta fase, vemos uma personagem cujo as músicas são mais poéticas e emotivas, a melodia e a letra te envolvem, e o vocal te destrói por inteiro. Com o passar da história, a personagem muda e se adequa ao mercado que agora vive, transformando as músicas em um pop dançante, substituindo o piano por dançarinos.
Jack, personagem interpretado por Bradley Cooper, também conta sua história e perspectivas com ajuda da música, no entanto suas músicas não sofrem mudanças trágicas como de Ally. A interpretação de Cooper trouxe nas músicas um cantor cansado, viciado, porém com uma paixão imensurável pela música, e posteriormente por Ally. A música de abertura, “Black Eyes”, mostra um potencial jamais mostrado pelo ator, no entanto, é em “Alibi” que vemos o ápice de toda sua glória.
A intimidade é algo que é abordado fortemente na trama. Jack é um músico intenso e apaixonado, e isso é algo que Ally não havia experimentado até então. Os toques, os olhares, e os duetos são intensos e íntimos. É impossível não se apaixonar pela harmonia perfeita entre as vozes dos dois protagonistas. Gaga e Cooper formaram uma dupla imbatível, e o crescimento do amor de seus personagens, tanto um pelo outro quanto pela música, foi mostrado com esplendor. As apresentações que contém apenas a voz e o piano também exploram a intimidade, as letras impactantes casaram perfeitamente com a grande voz de Gaga, acertam em cheio e deixam o espectador com os olhos marejados.
Lady Gaga foi a protagonista do filme, sendo um verdadeiro achado para o drama/musical, surpreendendo fãs e descrentes de seu potencial, inclusive foi uma grande surpresa (positiva) para seu primeiro grande trabalho no cinema, porém foi o Bradley Cooper que foi impactante, o ator além de protagonizar o filme, dirigiu, e juntamente com a Gaga e Nelson compuseram grande parte das músicas originais deste filme. Cooper demonstrou um potencial que jamais havia mostrado antes, a responsabilidade de interpretar um viciado e demonstrar isso em suas canções e performances mais a responsabilidade de dirigir uma grande história que já havia sido contada 3 vezes (a original em 1937, depois em 1954 e em 1976 com a Streisand) tornando atual sem tirar a essência da história. Cooper fez seu trabalho em “Nasce uma Estrela” com louvor, e é merecedor de um Oscar.

Apesar desta que vos fala ter uma certa admiração pela carreira de Lady Gaga, havia uma certa relutância acerca do nível da atuação dela, neste filme em específico. Toda preocupação, ou preconceito, foi por água abaixo no momento em que ela cantou “La Vie em Rose”. Uma performance intima, sedutora, explorando a sua feminilidade e seu vocal impecável. Naquele momento eu vi uma diferente faceta da Gaga, algo que ela havia guardado em uma caixinha, e esperado o momento certo para nos presentear.
A trilha sonora é digna de todo prestígio e enaltecimento. As músicas complementam a história, além das melodias serem extremamente cativantes. As letras são de extrema importância para o desenvolvimento da história, elas demonstram as emoções e crescimento dos personagens, explicando coisas que podem não terem sido notadas de antemão pelo telespectador.
“Nasce uma Estrela” nasceu como um clássico, e é grande merecedor dos grandes prêmios cinematográficos. Digo com convicção que esta obra foi um grande divisor de águas na carreira de Bradley Cooper e Lady Gaga, e aguardo ansiosamente pelo que ainda há de vir.