CRÍTICA | Como a Netflix acertou mais uma vez ao apostar em uma produção espanhola

Depois do sucesso estrondoso de “La casa de papel”, Netflix investiu mais uma vez no cenário espanhol e lançou neste mês de outubro a série “Elite”, que conta a história dos estudantes do colégio Las Encinas a partir da chegada de 3 bolsistas, tendo como plot principal um assassinato que ocorreu nas dependências desta escola.

Nota-se de imediato que a mais nova aposta da Netflix tem influência de outras séries, como: Gossip Girl, em relação ao elenco de classe econômica alta e a forma com que eles tratam dinheiro, álcool e drogas; How to Get Away with Murder e Big Little Liars, na estrutura da série, a forma com que eles usam os flashbacks para montar um quebra cabeça maior.

Apesar da série aparentar ser de uma temática adolescente, a mesma tem a classificação etária de 18 anos. Tendo em vista que aborda temas pesados, e considerados tabus para sociedade. Como por exemplo; a série relata a história de Marina (María Pedraza; La Casa de Papel), uma adolescente de 16 anos, rica e privilegiada, que contraiu o vírus do HIV, e como seus pais tentam acobertar de qualquer maneira a sua doença visando proteger seu status quo. Na série também pode ser visto a relação da estudante Nádia (Mina El Hammani), que é muçulmana, com esse mundo novo repleto de poder e perigos que ela ainda não havia encarado dentro de sua redoma de vidro protegida pela sua criação rigorosa.

Mesmo que a história principal da série seja a resolução de um assassinato, a trama vai além disso. É trabalhado com delicadeza a descoberta da sexualidade entre os personagens Omar (Omar Ayuso) e Ander (Arón Piper), que alimentam um amor proibido, e também o poliamor entre o triangulo amoroso Carla (Ester Expósito), Cristian (Miguel Herrán; La Casa de Papel) e Polo (Álvaro Rico).

Há personagens imensamente interessantes e complexos, como o Guzmán (Miguel Bernardeau), que começa como um estereótipo de filho de pai rico, mimado e protegido, que gosta de manter todos sob seu controle. No entanto, no decorrer da trama é mostrado diferentes lados do personagem, que assim desmontam a máscara de babaca que havia sido posta no começo da série. Guzman (Miguel Bernardeau), apesar de ter mostrado seu lado bom (mais na presença da Nádia, talvez até por influência dela, procurando ser um cara que toma decisões melhores), ainda oscila entre o “bom e ruim”, tornando-se mais real. E por outro lado, temos o “mocinho” da história, o Samuel (Itzan Escamilla), um dos bolsistas, que no começo é retratado como um cara modelo, batalhador, e mesmo que viva em um ambiente repleto de drogas e violência, ele ainda assim se abstém disso tudo, por escolha própria, pra se tornar alguém melhor, alguém integro. Talvez seja por essa construção de um personagem cujo caráter e integridade está acima de tudo, que houve um certo estranhamento quando ele se junta com seu irmão Nano (Jaime Lorente; La Casa de Papel) para aplicar um golpe, uma chantagem para ganhar dinheiro. Seria seu caráter tão fraco ao ponto de se tornar manipulável?

Há figuras femininas bastante fortes e empoderadoras, como a Carla (Ester Expósito) e a Lucrecia (Danna Paola) . Carla (Ester Expósito) filha de um advogado poderoso e uma magnata, é manipuladora e consegue o que quer com o poder de sua argumentação. Apesar de soar fria essa descrição, você se apega a personagem pelo seu carisma e sua inteligência, e pelo fato dela não ser manipulável, e sim a manipuladora. Já a Lu (Danna Paola) tem sede pelo sucesso e pela conquista, não importa qual seja o seu objetivo, tanto um prêmio estudantil como o coração de Guzman; sua perseverança – mesmo que sem escrúpulos –  a torna uma personagem forte, lembrando até em certos pontos a personagem de Gossip Girl, Blair Waldorf (Leighton Meester).

A trama é bastante clichê, a menina rica que se apaixona pelo bandido. No entanto as histórias secundárias se tornam mais relevantes e interessantes do que o próprio plot principal. A série não enrola o espectador, ela entrega as informações na medida que é necessária, tornando a série interessante e imersiva, deixando o público preso a história e criando um vínculo com os personagens.

Não seria justo terminar esse texto sem mencionar a trilha sonora de Elite. Há diversidade rítmica, apesar de predominar o ritmo reggaeton, ainda podemos ver a presença de pop, indie, e covers de músicas de sucesso. Caso você queira ouvir, clique aqui para acessar a playlist no Spotify.

Por fim, podemos concluir que a série cumpre fielmente o que propõe, uma trama envolvente com personagens bem construídos e com desenvolvimento proporcional com o desenrolar da história.

A primeira temporada de Elite está disponível na Netflix, e já foi anunciado a renovação da série para sua segunda temporada, ainda sem previsão de estréia.

Confira as críticas da segunda e terceira temporada.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *