CRÍTICA | V Wars (Apocalipse V) Ian Somerhalder é muito melhor no papel de vampiro do que de mocinho

V Wars é uma série de televisão de terror e ficção científica canadense-americana, baseada na série homônima de Jonathan Maberry, estrelada por Ian Somerhalder, Adrian Holmes, Jacky Lai, Kyle Breitkopf, Peter Outerbridge, Kimberly-Sue Murray e Sydney Meyer. A série estreou na Netflix em 5 de dezembro de 2019.

A série começa de forma leve como qualquer outra série do gênero. O intuito é fazer com que o clima de tensão cresça no decorrer dos episódios gradativamente, até escalonar para algo maior. O que é interessante no início e até prende um pouco a atenção do espectador, já que não fica claro o que realmente leva aos acontecimentos da série. O mistério em torno do que aconteceu é instigante, mas infelizmente não passa disso. A narrativa é lenta e preguiçosa. Além de superestimar a inteligência do espectador com diálogos muito explicativos, algumas vezes ditando o que está acontecendo na sua frente. Isso joga o espectador pra fora da série.

Não há grandes atuações, já que os momentos dramáticos da série não são tão bem explorados. Salvo de um momento em específico, quando a ex esposa do personagem de Ian Somerhalder, que tem como intérprete Nikki Reed, protagoza uma cena de discussão dentro de um restaurante muito bem executada. Além de Laura Vandervoort, que interpreta Mila, quando tem que lidar com o fato de ter sido transformada em vampira pela própria irmã. Mas ainda sim o roteiro joga fora o esforço das personagens, quando não explora suas sub-tramas.

O protagonismo fica por conta de Ian Somerhalder, mas o ator não demonstra muita afinidade no papel do mocinho, o carisma de Damon em The Vampire Diaries sumiu por completo nesse personagem. O ator não consegue despertar a empatia do espectador, necessária para que você se indentificar com o personagem e até mesmo entender seus dramas. Ele não consegue ser heróico, o que é compreensível porque seu personagem não está acostumado a viver situações extremas, mas ele também não sabe se colocar no papel de vítima da situação.

A química entre ele e “Dez”, interpretado por Kyle Harrison, não é muito boa, o ator não conseguiu estabelecer uma relação de pai e filho. O esforço do ator para demonstrar esses laços é louvável, mas infelizmente o roteiro não ajuda muito.

O co-protagonismo fica por conta de Adrian Holmes (Michael Fayne), esse é realmente um bom personagem, seu arco dramático foi bem feito na medida do possível. Você consegue simpatizar um pouco com o que o seu personagem pensa e com suas ideologias, já que essa condição foi imposta a ele por ironia do destino, então ele tem que se acostumar com sua nova condição.

A série tem seus momentos bons, algumas das cenas de ação são bem coreografadas, mas os efeitos especiais são mal feitos e um pouco pobres. Mas sem dúvidas o problema maior é o roteiro, os diálogos são pobres muito explicativos em alguns momentos, e o risco de ameaça global é muito mal representado na série. Não se sabe como está o resto do mundo com a ameaça dos vampiros, exceto com algumas menções feitas pelos personagens, dando a entender que o risco todo está apenas centrado no núcleo principal da série. V Wars ainda ensaia alguns plot twists, mas para por aí, fica muito claro tudo que acontecerá a seguir.

A série acaba com um cliff hanger mas sinceramente eu não fiquei nem um pouco empolgado para uma segunda temporada, tendo em vista minha dificuldade para terminar de ver a primeira.

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