CRÍTICA | Seria Daybreak uma nova Zumbilândia?

A mais nova série sobre apocalipse e zumbis da Netflix estreou nesta quinta (24) com 10 episódios ao todo. Daybreak é baseada na graphic novel de mesmo nome de Brian Ralph, onde traz a história de Josh (Colin Ford), um adolescente apaixonado que decide sair à procura de Sam (Sophie Simnett), sua namorada que está desaparecida desde do incidente que causou o apocalipse.

Essa não é uma série sobre um apocalipse convencional. Daybreak enfatiza o lado bom de um apocalipse. Um mundo sem regras, onde você pode ter a casa que quiser com o que você quiser. Levantando a questão, e se o apocalipse não fosse uma coisa tão ruim?

Logo no começo é notório e inevitável fazer a comparação com Zumbilândia. O protagonista, Josh, age como Columbus (Jesse Eisenberg), conversa diretamente com o espectador e inclusive dá dicas a respeito da sobrevivência perante ao caos (e como se dar bem com isso). A dose do humor é quase que idêntica ao filme, mas as comparações acabam por aí.

Apesar deste formado de “quebrar a 4ª parede” seja parecido, o caminhar da série se dá com algumas diferenças em relação ao filme. Quando em Zumbilândia é possível dizer que os zumbis são o fator principal para grandes problemas e a maior ameaça, em Daybreak os ghoulies  (criaturas afetadas pela explosão) passam quase que despercebidos e não são realmente uma grande ameaça para os sobreviventes. Os principais problemas na série são relacionados as consequências de viver em um mundo sem adultos.

A bomba bioquímica dizima todos maiores de 18 anos, o que faz com que a cidade vire um grande ensino médio separado por tribos como: atletas, góticos, “kardashians“, gamers entre outros. Daybreak utiliza do artifício clichê de produções norte-americanas quando abordam ensino médio, o “não se encaixar em lugar algum”, os “excluídos” e por aí vai. Apesar de ser um pouco batido, a forma como foi feito é cômica e traz um ar de novidade ao trazer temas polêmicos sem papas na língua.

Outro elemento clichê que a série se apoia é em relação ao seu protagonista, um adolescente branco -padrão- que não se sente encaixado por ser diferente dos demais. Aposto que você já pensou em 10 filmes ou séries só neste meio tempo. A diferença é que a história não faz com que ele seja o herói perfeito e almejado por todos, pelo ao contrário, com o desenvolver da trama você nota que Josh é um completo babaca. Um adolescente normal, que magoa e toma atitudes impensáveis e totalmente erradas, porque é um adolescente. A série faz questão de lembrar isso a todo momento, são crianças, é incompreensível você exigir atitudes extremamente maduras de adolescentes perdidos sem seus pais.

A personalidade dos personagens ganha uma profundidade maior a medida em que cada episódio foca em um flashback de um personagem diferente, sem enrolar ou perder a trama principal de vista. Como a série utiliza este formato de conversar com o espectador diretamente, até a edição do episódio muda para combinar com a narração daquele personagem (que narra sua própria história). Isso é algo que forma a identidade visual e narrativa da história, criando algo cativante ao espectador.

Outra consequência de “quebrar a 4ª parede” são as chuvas de referências à cultura pop. Tanto no roteiro quanto no desenvolver da trama, a série consegue adaptar elementos marcantes que qualquer um é capaz de notar. Como por exemplo, há uma tripo que é totalmente inspirada em Mad Max, ou as diversas alfinetas que a série da quando falam de The Walking Dead… Acho melhor eu parar, não quero te dar spoilers.

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Não se engane, a série não se resume a comédia e ação, nos primeiros episódios o foco da trama pode aparentar se resumir a isto, mas com o desenvolver da história a carga dramática aumenta e a série se torna densa. intensa e instigante.

Enquanto o protagonista segue em rumo a sua missão principal, os arcos secundários vão se desenvolvendo com clareza e ganhando a atenção do público. A relação entre Angélica (Alyvia Alyn Lind) e a Sra. Crumble (Krysta Rodriguez) consegue diversas vezes sobressair na história, tanto quando a dupla protagoniza cenas engraçadas (deixando o clima da série mais leve) tanto quando brilham em cenas dramáticas e as vezes um tanto quanto filosóficas.

Em meio a um total caos, com muitas referências a cultura pop, Daybreak consegue se tornar divertida, tensa e totalmente vibrante. Os seus desfechos são inesperados e prendem sua atenção, fazendo com que você não consiga parar de assistir. O desenvolvimento dos personagens surpreende e você acaba criando certo vínculo com eles, bem como fazer parte de certas amizades. Com certeza é uma série digna de maratona.

Apesar da série ter um final em aberto, deixando algumas perguntas no ar, ainda não há informações sobre uma nova temporada, mas os 10 episódios estão disponíveis na Netflix. Assista ao trailer:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=fUMBd25y9wM]

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