CRÍTICA | Projeto Gemini proporciona uma jornada futurística, frenética e inovadora mas não surpreende

O mais novo filme de Ang Lee (diretor responsável também por As Aventuras de Pi e O Tigre e O Dragão) traz como seu protagonista o astro Will Smith, que divide a tela com uma versão mais nova de si mesmo.  Projeto Gemini conta a história de Henry (Will Smith), um dos melhores agentes do mundo que está tentando se aposentar da vida de matança. No entanto, se torna um alvo de seu próprio governo que começa a suspeitar que o mesmo não é mais confiável e merece ser eliminado. Em uma aventura intensa, Henry acaba descobrindo que está sendo perseguido por uma versão mais jovem de si, seu clone.

Antes de discorrer sobre o enredo e o desenrolar da história, vale destacar as técnicas que Lee utilizou neste longa a fim de mudar a cara do odiado filme 3D.

Ao contrário das maiorias dos filmes que são convertidos para 3D, Projeto Gemini foi pensado desde de sua criação em um projeto tridimensional, a fim de transportar a audiência para dentro das cenas de ação. A filmagem foi feita com maior contagem de quadros e com altíssimas resoluções, o longa foi produzido em 4K e o filmado a 120 FPS. Sendo assim, não existe a sensação de cansaço ocular e muito menos de um filme muito escuro.

Além disso, Lee também inovou na técnica para criar o clone co-protagonista do longa. Ao contrário do que foi feito na Marvel com Robert Downey Jr, neste longa, Will Smith não é rejuvenescido com CGI, o que vemos em tela foi uma criação totalmente nova e digital a partir de uma versão real do (jovem) Smith, a que vimos por exemplo em Maluco no Pedaço.

Apesar da promessa que os produtores fizeram de entregar uma experiência de um personagem verossímil, que não distinguiríamos a diferença entre o ator real e a computação gráfica, infelizmente não foi isso que ocorreu. Nas cenas onde havia claridade (e luz do dia) os efeitos, não só da versão mais jovem de Will bem como algumas cenas de ação, foram artificiais, remetendo a gráficos precários de jogos de vídeo games. Não incomoda ao ponto de estragar a experiência do filme, exceto pela cena final que parece ter feito às pressas.

No entanto vale salientar que só pelo fato de você poder experimentar a tecnologia 3D sem os efeitos negativos que ela geralmente carrega é um grande ponto positivo para a tecnologia que investiram no longa.

O motivo de Will ser um dos atores mais queridos é evidente em como ele conduz e protagoniza a história. Por mais que seu personagem seja denso e por muitas vezes dark, o carisma do ator prevalece e faz com que gere empatia com o personagem logo de primeira. Apesar do talento imensurável de Smith, nem isso foi suficiente para elevar a qualidade do enredo que insistia em inúmeras vezes voltar ao passado do protagonista, numa tentativa de explicar seus comportamentos atuais, duvidando da inteligência do espectador.

A história em si é bastante promissora, os personagens são desenvolvidos e encaixados dentro do enredo proposto com coerência. As cenas de ação, mesmo com o fato de terem tido alguns problemas visuais, são de tirar o fôlego e carregam coreografias inacreditáveis. A ideia da origem do clone e seu propósito também são um ponto positivo do filme.

A trama tenta entregar um mix de gêneros distintos dentro de um só filme. Projeto Gemini mistura ação, ficção científica, suspense e até mesmo drama. Talvez esse movimento ousado tenha atrapalhado um pouco em certos momentos no decorrer da história, fazendo com que se tornasse uma tentativa desesperada de emplacar um sucesso.

Esse não é um dos melhores trabalhos de Will, mas com certeza não é um dos seus piores. Projeto Gemini se destaca pela sua tecnologia inovadora e suas cenas de ação, mas peca no enredo um tanto que preguiçoso que utiliza de mecanismos nada inovadores em um drama raso.

O longa estreia dia 10 de outubro nos cinemas brasileiros.

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