CRÍTICA | Turma da Mônica: Laços faz jus a toda criação brilhante de Mauricio de Souza

Depois de 60 anos desde de sua criação, a turminha do bairro do limoeiro finalmente ganhou um live action para o cinema. Turma da Mônica: Laços é baseado na graphic novel de mesmo nome, e foi dirigida por Daniel Rezende e com roteiro de Thiago Dottori.

O filme honra e adapta com fidelidade os personagens que fizeram parte da vida de gerações de crianças de épocas diferentes. Por mais que o longa seja uma adaptação de uma hq, a fidelidade que menciono aqui é acerca das características marcantes que conhecemos dos personagens, tanto na caracterização quanto em suas personalidades.

No entanto a respeito de sua adaptação de Laços HQ para o filme, não resta dúvidas que foi fiel e harmonizada com perfeição para um novo tom. Apesar da graphic novel ter um tom mais pesado e revestido de uma carga dramática e o filme ser mais leve, há cenas idênticas no longa. Como no começo, durante o primeiro plano de Cebolinha, onde personagens secundários são apresentados rapidamente, é assustadoramente idêntico, uma adaptação perfeita.

Uma sacada genial do filme foi em relação do nome do longa, que na HQ remetia aos laços de amizade entre eles, e o filme utilizou a literalidade para brincar com o nome. Laços vermelhos são os novos “pãezinhos” marcando o caminho percorrido na floresta. Um detalhe que mostra a atenção redobrada que deram ao longa e ao seu desenvolvimento.

Um dos pontos positivos do filme foi o espaço individual que foi separado para cada protagonista. Cada um dos 4 melhores amigos teve sua chance de mostrar sua característica principal e marcante. Cascão e seu medo por água, Cebolinha com sua língua presa e seus planos infalíveis, Mônica e seu Sansão e Magali com seu amor por comida. Por mais que a história tenha um certo foco no Cebolinha, os outros não ficam ofuscados, pelo ao contrário, são peças essenciais para o desenrolar da trama.

A aparição de Rodrigo Santoro, foi intensa e rápida, como seu personagem, e de extrema importância para o desenvolvimento individual de Cebolinha. Todo seu tempo de tela foi insano e bastante caricato, como é o Louco. Com frases filosóficas e loucas, aquela cena em específico foi uma viagem caótica e brilhante.

Toda locação e fotografia do longa é ímpar. A qualidade excede todas as expectativas e definitivamente se destaca dentre os filmes nacionais. A aventura da turminha que foi em sua grande parte na floresta rendeu imagens lindíssimas, além da caracterização do bairro do limoeiro, as casas, os automóveis e os moradores, tudo dá a sensação de um bairro acolhedor e perfeito para a Turma da Mônica.

Não resta dúvidas quando falamos do talento do elenco mirim escolhido, Giulia Benite, Kevin Vechiatto, Laura Rauseo e Gabriel Moreira foram a escolha perfeita para interpretar respectivamente Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão. Os atores transpareceram todos os detalhes dos personagens das histórias em quadrinhos de Mauricio de Souza.

O enrendo da história é leve e bastante descontraído, em comparação à HQ. No entanto, não é por isso que se torna menos impactante. O filme consegue captar a essência e o poder da amizade, nos fazendo viajar no tempo e relembrar de épocas mais simples. O longa consegue te ganhar pela nostalgia, mas não se apoia somente a isso. Toda a trama é cativante e imersiva, sendo de bom agrado para todas as idades.

Sem dúvidas, mal posso esperar para mais um longa com essa turma, e que consigam explorar os outros personagens que são igualmente dignos de terem suas histórias contadas no cinema. Esse filme é uma grande prova que o cinema nacional é revestido de qualidade e que merece um investimento maior e o apoio dos brasileiros espectadores.

 

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