CRÍTICA | Abismo Mágico reúne os melhores elementos da fantasia, suspense investigativo e romance

O drama sul coreano original da Studio Dragon, que foi distribuído internacionalmente pela Netflix no dia 16 de maio deste ano, trouxe em seu elenco Bo-Young Park, Ahn Hyo-Seop e Sung-Jae Lee. Com a direção de Yoo Je-won e roteiro de Moon Soo-yeon, Abismo Mágico traz uma história intensa que envolve o mundo fantasioso da ressurreição e o mundo real com investigações de assassinatos de um serial killer.

O k-drama aborda a vida após a morte de um jeito diferente e interessante. Após morrer, Cha Min (Ahn Hyo-Seop) ganha de presente um artefato denominado “abismo mágico”, com ele é possível reviver pessoas com uma condição, a pessoa ressuscitada voltará com a aparência correspondente a sua alma. O que faz o protagonista, que é tratado na trama como “feio”, voltar a vida como um galã de dorama. E é claro que  no decorrer da série outras pessoas passam por um processo similar.

Quando analisamos o lado investigativo da série, é possível notar alguns furos no decorrer da trama, mas nada que gere desconforto ou desconexão com o desenrolar da história. Durante todo o dorama, a perseguição e investigação se torna constante e mantém a atenção do espectador. No entanto, acaba se tornando um pouco desgastante quando vira um jogo de gato e rato, quando se sabe quem é o vilão e como pega-lo mas ele sempre fica um passo a frente, prendendo os protagonistas numa roda sem fim.

Em contra-peso, não se torna chato nem entendiante pois os elementos de romance e comédia são inseridos no decorrer da trama com  perfeição.  O desenvolvimento dos personagens é gradativo e você acaba se apegando e torcendo por um final feliz, depois de tantos impedimentos e contratempos.

Os protagonistas que começaram como amigos de infância acabam descobrindo no desenrolar da história lados que ainda não haviam reparado em cada um. Além disso, é claro o desenvolvimento individual de cada um dos personagens abordados em Abismo Mágico. O que é um pouco difícil você encontrar em doramas, quando o comum é um salto temporal e um final feliz.

A série também se utiliza de meios nostálgicos e flashbacks para criar um vinculo maior com os personagens, além de preencher lacunas e balancear o clima do k-drama. O que é um grande ponto positivo para o lado cômico da série, e também as vezes contribuindo com o romance principal.

Vale mencionar que as atuações desse dorama são excepcionais, mas quem se destaca é a atriz Bo-Young Park. Apesar dos “vilões” terem feito um ótimo trabalho, se tornando um adendo perfeito a trama, a atriz conduziu o enredo da história do começo ao fim, rendendo cenas impactantes e emponderadas, nos presenteando com um dos diálogos mais impactantes em doramas atuais.

“Desde pequena, eu sempre fiz, o que eu queria fazer, até quando tentavam me convencer de que seria perigoso, de que eu acabaria falhando e me machucando. Você quer saber de onde eu tirei essa coragem? De você. Um cavaleiro que faz tudo por mim para que eu não precise mover um dedo? É claro que também seria legal. Mas talvez por ser um tanto guerreira, eu não precise de um cavaleiro com uma espada ao meu lado. “

“Então eu sou o que? Um médico de combate?”

“Não. Você é meu abrigo. Sim, tipo um lar. Nos campos de batalha, é o que mais motiva os soldados.  “Venceremos a todo custo e voltaremos para casa”. É onde eu me sinto mais segura e mais à vontade nesta vida, que tem sido uma batalha constante.” A pessoa que me faz sorrir, que me dá a força necessária, e assim me torna invencível. Pra mim, você é essa pessoa.

Não poderia deixar de mencionar a química perfeita entre os protagonistas. Não só nas cenas de romance, onde apresentavam lados extremamente opostos de uma relação, mas como dupla investigativa. É claro que é de tirar o fôlego todas as cenas onde os dois protagonizavam um casal romântico, com direito a clichês que são presentes em produção do gênero, mas seria injusto deixar de fora o lado dramático onde os dois roubavam a cena. Toda intensidade que era necessária em cenas dramáticas ou de ação foi completamente entregue ao público, e isso deu-se pelo talento de ambos e pela sincronia que havia entre os atores.

O final de Abismo Mágico tende a ser como a maioria dos finais de doramas, como uma novela, mostrando o final dos personagens que passaram pela a história e seus desfechos individuais. Todavia, há o bônus de uma tensão e uma emoção em grande escala devido aos acontecimentos com os protagonistas, o que deixa o episódio final emotivo e muito belo.

Apesar de terem deixado algumas explicações pela metade, e terem esquecido de certos personagens, o dorama apresentou um final agradável e bem clichê (no melhor sentido da palavra), utilizando de todos os meios que nós conhecemos em novelas (como casamentos, julgamentos etc). O final absolutamente não é o ponto fraco da série, mas é compreensível o “desgosto” que ele pode causar, devido ao desaceleramento drástico no ritmo da série e a mudança de cenário, pois começou com uma ação e suspense investigativo e acaba como um romance com final feliz.

Abismo Mágico é um excelente dorama, com uma trilha sonora maravilhosa, que deixará a maioria dos fãs de k-dramas com o coração na boca e apaixonados pelo elenco principal. É cativante, intenso, engraçado, apaixonante e inusitado.

Todos os 16 episódios já estão disponíveis no catálogo da Netflix.

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