Depois de 15 anos do último filme da franquia Karatê Kid nos cinemas, a arte marcial mais amada pelos cinéfilos está de volta! Karatê Kid: Lendas chega nos cinemas nesta quinta-feira (08) trazendo pela primeira vez Jackie Chan e Ralph Macchio juntos em um filme da franquia.
Em Karate Kid: Lendas, Li Fong, um jovem prodígio do kung fu, muda-se com a mãe para Nova York após uma tragédia. Lutando para se adaptar à nova vida, ele tenta evitar confrontos, mas acaba envolvido em uma rivalidade com um campeão local de karatê. Para vencer a maior competição do país, recebe o treinamento dos mestres Sr. Han e Daniel LaRusso. Com isso, Li une dois estilos de luta em uma jornada de superação e autoconhecimento.

Com 1 hora e 34 minutos de duração, Karatê Kid: Lendas tem a missão de reintroduzir o Karate Kid (2010) de Jackie Chan à franquia de forma cânone. Com uma introdução que nos leva de volta ao segundo filme protagonizado por Daniel LaRusso e sr Miyagi, a trama consegue construir uma lógica que une os dois mestres das artes marciais de maneira histórica.
A produção, que começa aguçando a nossa nostalgia, não se apoia inteiramente nesse sentimento. A introdução de Li Fong (Ben Wang) na história tem uma personalidade única, o personagem ganha um drama pessoal, constrói sua própria trajetória, e, apesar de ter algumas referências e apoio narrativo ao passado da franquia, não é uma cópia dos protagonistas passados.
Por outro lado, o personagem só se sustenta quando o filme foca na ação das lutas e suas amizades (principalmente com o personagem vivido por Joshua Jackson). O drama e o romance é fraco e raso, não é suficiente para entregar uma substância a trama principal. Mas, bem, ele acaba compensando já que o ator é praticante de caratê, kenpo, kung fu (principalmente Wing Chun), kumdo e taekwondo. E isso é EVIDENTE no filme! Capaz dele ser um dos protagonistas mais habilidosos de todos personagens da franquia, até então.

Ainda que eu tenha falado que o filme não se apoia em nostalgia, ele oferece algumas referências, principalmente na construção do “vilão” – que nos remete ao Cobra Kai original e a relação de Lawrence com o seu sensei. Ademais, não poderia ser hipócrita e falar que minhas partes favoritas do filme não foram as do Sr Han e Daniel Larusso, porque seria mentira.
Desde dos momentos iniciais, Jackie Chan conquista a audiência, seja com seu humor único, familiaridade e o pique intacto para performar os golpes de kung fu. Bem como Ralph Macchio, que, apesar de não ter tempo suficiente para sentir sua falta (devido a recém finalizada série Cobra Kai) faz o coração de todo fã de Karatê Kid bater mais rápido. A emoção que ele ainda carrega ao falar do seu sensei, seu amor e respeito pela arte marcial, combinados com sua personalidade doce e (ainda assim) marcante, dá o toque especial ao filme.

Apesar de Karatê Kid: Lendas ter perdido um pouco da narrativa escolar característica da franquia, bem como sua estética visual (e de montagem) que toma escolhas que acaba inferiorizando o filme a um produto genérico, o filme é uma grata surpresa. Infelizmente não vai ser tão popular quanto alguns anteriores, mas definitivamente não vai cair no rol de odiados como o quarto filme.
A sensação que ficou para mim ao final é que este é o filme que vai unir gerações, os adultos que acompanharam toda franquia décadas atrás e a nova geração que será inundada com uma ação envolvente e digna de “filme de shopping“.
Ah e tem uma cena pós crédito final MUITO divertida, vale muito a pena ficar para ver, hein.
Nota: 3,7/5








