CRÍTICA | O poético ‘Todas as Estradas de Terra têm Gosto de Sal’

Todas as Estradas de Terra têm Gosto de Sal nos apresenta Mack (Kaylee Nicole Johnson e Charleen McClure), uma mulher negra do Mississipi, ao longo de décadas. O longa de estreia de Raven Jackson na direção é uma exploração lírica, trazendo toda a experiência que a diretora e roteirista tem na fotografia e na poesia.

Apesar de ter uma narrativa bem delimitada, Todas as Estradas de Terra têm Gosto de Sal foge da construção clássica que estamos acostumados para dar ênfase à poesia do filme. Começamos ao longa conhecendo uma Mack criança, a partir daí vamos indo e voltando durante a vida dela para entender o caminho que a personagem seguiu. 

Confesso que no início da trama fiquei receoso que fosse mais um filme que mostrasse o sofrimento da vida de uma mulher negra pobre. Porém ao longo da narrativa vamos percebendo que a vida de Mack tem momentos de sofrimento, como o de todos nós, mas também tem momentos de alegria e no final é sobre ela ter conseguido passar por tudo isso e ainda estar viva e bem.

O filme tem poucos diálogos, ele se expressa bastante através da imagem. Alguns planos são estáticos, o que nos remete diretamente à fotografia e à pintura. Para quem não está acostumado com uma narrativa menos linear, pode até achar o filme maçante e desinteressante, mas aqueles que gostarem de um olhar mais artístico, se encantaram com a beleza e a delicadeza de Raven Jackson.

Destaco aqui uma das cenas bonitas que eu vi nos últimos tempos, ainda nos primeiro ato, o pai (Chris Chalk) e a mãe (Sheila Atim) de Mack dançam na sala, conseguindo exalar todo o desejo e amor que eles têm entre si. A fotografia foca bastante em planos detalhes, como as mãos passando pelo corpo durante a dança, ou o encosto da cabeça no pescoço para sentir melhor o cheiro do amado.

Por ter menos diálogos, o filme também pede um bom trabalho de expressivo dos atores, que conseguem fazer isso sem que fique algo caricato e exagerado, interpretando as nuances necessárias para os seus personagens. Além dos já citados, a família de Mack também é composta por sua irmã Josie (Jayah Henry e Moses Ingram) e a sua avó (Jannie Hampton).

Todas as Estradas de Terra têm Gosto de Sal é um filme poético e belo. Não é um filme para todo momento por sua narrativa quase que em formato de quebra-cabeças, mas vale bastante a pena ser visto e contemplado em sua arte. Raven Jackson se mostra mais uma diretora negra proeminente no cenário estadunidense para fazer um cinema diferente.

O filme estreia no dia 21 de setembro nos cinemas de todo o Brasil.

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