Com a construção característica de um survival horror, “Hora do Massacre” chega nos cinemas nesta quinta-feira (18) trazendo uma obra criativa nas mortes, mas apática na construção de personagens e (principalmente) na seleção e direção de elenco.
“Hora do Massacre” traz a história de um grupo de jovens ativistas que invade uma loja de móveis a fim de protestar e chamar a atenção para as mudanças climáticas, porém acabam ficando presos com um segurança obcecado por caça primitiva. O que começa com um protesto, rapidamente se transforma em uma luta por sobrevivência e um massacre onde cada jovem deve fazer o que for preciso para sair vivo do estabelecimento.

Dirigido pelo coletivo de diretores RKSS – Roadkill Superstars, composto por Yoann-Karl Whissell, François Simard e Anouk Whissell, que já trabalharam juntos anteriormente nos filmes “Verão de 84” e “Turbo Kid”, o longa ridiculariza a geração z com personagens superficiais e alheios ao mundo em que vivem. A ironia começa a partir da motivação dos jovens, que invadem uma loja para levantar pautas ambientais, mas a todo momento recusam a observar outras pautas que giram ao seu redor, como as causas de desigualdades econômicas presentes em seu próprio circulo social. Logo, a partir do momento que conhecemos o grupo de amigos fica evidente que não há motivo algum para torcermos pela sua sobrevivência, já que não há nenhum vislumbre possível de compreensão da audiência perante a adolescentes mimados e supérfluos que usam de pautas ambientais como desculpa para exibição online.
É claro que toda regra tem exceção e essa exceção é Yasmim, vivida por Jacqueline Moré. Além de não se encaixar com a descrição feita acima, a personagem exibe a humanização que falta no filme. Seja através de sua personagem ou até mesmo em seu desempenho artístico. Enquanto seus colegas de elenco causam um certo tipo de vergonha alheia com diálogos engessados e revestidos de frases de efeito para cortes para edits do Tik Tok, Moré investe no pouco tempo de tela que tem e conquista a empatia do público.

Por outro lado temos Turlough Convery que vive o segurança sanguinário. A principio, tanto sua performance quanto a construção de seu personagem agradam e acrescentam positivamente ao terror da história. Contudo, conforme a montagem do longa insere flashbacks desnecessários, excesso de reações explosivas e teatrais enquanto cria uma paródia ruim de outros filmes do mesmo gênero, ele se apaga e se distancia cada vez mais do seu potencial apresentado inicialmente.
A verdade é que “Hora do Massacre” é um filme que ao menos não decepciona quando a direção está focada na criação da tensão. De forma progressiva o temor pela vida vai crescendo e invadindo a quem assiste ao jogo de sobrevivência. De uma forma curiosamente cômica, os diretores sabem criar armadilhas e confundir o espectador em não mostrá-las em uma sequência esperada. Assim, a produção não fica de todo o ruim, garantindo pelo menos uma diversão despretensiosa em uma sessão com os amigos (online ou presencial).
Nota: 2,5/5








