Se passando na década de 1970, baseado em acontecimentos reais do Hospital Colônia de Barbacena (MG), ‘Ninguém Sai Vivo Daqui’ traz a história de Elisa (Fernanda Marques) é internada à força pelo seu próprio pai no hospital psiquiátrico por conta de ter ficado grávida de seu namorado. Ao chegar no hospital Elisa se depara com um ambiente hostil e degradante.
O filme tem direção de André Ristum e é derivado (ou uma remontagem) de uma série do Canal Brasil criada pelo autor. André também assina o roteiro em parceria com Daniela Arbex (autora do livro Holocausto Brasileiro, obra que inspira o filme), Rita Gloria Curvo e Marco Dutra. Além da protagonista, o elenco conta com nomes de peso, como Andreia Horta, Augusto Madeira, Rejane Faria, entre outros.
O Hospital Colônia foi fundado em 1903, inicialmente a instituição era destinada ao tratamento de pacientes com transtornos mentais, mas transformou-se em um depósito para pessoas consideradas “indesejáveis” pela sociedade. Tendo uma capacidade de 200 leitos, o hospital já teve ocupação de cerca de 5 mil pacientes durante a década de 1950. A instituição ficou em funcionamento até o início da década de 1980 e é estimado que mais de 60 mil pessoas foram mortas durante seus quase 80 anos de funcionamento devido às condições inumanas e abusos físicos e psicológicos aos pacientes.
Apesar de se basear em histórias reais, André Ristum traz personagens totalmente ficcionais para a trama, com o intuito de suavizar (não no sentido romântico da palavra, mas para deixar a obra menos densa) e também para preservar a história dos antigos pacientes. O filme tem uma estética em preto e branco dada pelo diretor de fotografia, Hélcio Nagamine, que justifica a opção para retratar a “falta de cor” na vida dos personagens.

‘Ninguém Sai Vivo Daqui’ é um filme curto para os parâmetros do cinema comercial atual, mas consegue contar bem a sua história sem deixar furos de roteiros ou arcos superficiais (algumas subtramas são rapidamente resolvidas, mas devem ter melhor desenvolvimento na versão seriada da obra). O longa começa como um drama e segue assim até o seu segundo ato, quando ganha contornos de um thriller com toques sobrenaturais, entrando na “loucura” dos pacientes provocadas pelo próprio hospital.
A atuação de Fernanda Marques como Elisa iria passar como competente, mas nada espetacular se o filme se firmasse no drama, mas quando entra o horror na obra, a atriz consegue trazer uma carga dramática que nos faz imergir ainda mais na personagem. Rejane Faria interpreta uma personagem dentro do que lhe é costume, uma mulher mais velha, que cuida dos outros, mas ainda assim consegue ser um destaque quando está em cena.
Quem também brilha toda vez que aparece na tela é Augusto Madeira, acostumado com personagens cômicos, o ator consegue sair totalmente da sua zona de conforto e nos entregar um personagem totalmente repugnante, daqueles que você poderia sentir ódio ao vê-lo passando na rua por conta da sua excelente interpretação.

‘Ninguém Sai Vivo Daqui’ nos mostra que nem todos os filmes precisam de mais de 2 horas para nos entregar uma boa história. Apesar de sua trama densa e temática pesada, o longa nos prende na tela querendo saber como tudo aquilo vai andar (ou desandar mais ainda). Além de um bom roteiro, André Ristum também nos entrega uma boa direção, demonstrando que pode trazer ainda mais obras, no cinema ou na TV para nos impactar.
O filme chega nos cinemas no dia 11 de julho nos cinemas de todo o Brasil.
NOTA: 4/5








