CRÍTICA | “Planeta dos Macacos – O Reinado” e o perigo que há entre os mitos criados

Após 7 anos da conclusão da história de Caesar, o universo de Planeta dos Macacos está de volta para iniciar uma nova era que se aproxima cada vez mais dos clássicos de 1968. “Planeta dos Macacos – O Reinado” estreia nesta quinta-feira (09) levantando um debate sobre como histórias poderosas podem ser deformadas ao longo dos anos por seres com sede e ganância de poder.

Planeta dos Macacos: O Reinado” realiza um salto no tempo após a conclusão da Guerra pelo Planeta dos Macacos. Muitas sociedades de macacos cresceram desde quando César levou seu povo a um oásis, enquanto os humanos foram reduzidos a sobreviver e se esconder nas sombras. Apesar de ser responsável pela segurança da nova geração de primatas evoluídos, muitos não conhecem os feitos de César. E é neste novo cenário que um líder macaco começa a escravizar outros grupos para encontrar tecnologia humana, enquanto um jovem macaco, que viu seu clã ser capturado, embarca em uma viagem para encontrar a liberdade, sendo uma jovem humana a chave para todos.

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Com 2 horas e 25 minutos de duração, “Planeta dos Macacos – O Reinado” conta com a direção de Wes Ball (conhecido pela adaptação cinematográfica de Maze Runner) para contar como a Terra está após várias gerações da existência de Caesar. Com um começo impactante, exibindo o funeral do primeiro ancião, o filme prepara o espectador logo no começo que, ainda que morto, tudo girará em torno dos efeitos provocados pelas atitudes do líder dos macacos.

Antes de me aprofundar a respeito da história, urge a necessidade de comentar sobre o visual esplendoroso deste longa. O trabalho de Gyula Pados na direção de fotografia em conjunto com os efeitos especiais aprimoram o trabalho que já havia se consolidado como um dos melhores dos últimos anos quando o assunto é VFX. Trazendo os elementos da natureza vindos da floresta, praia e até o ar, o visual é a ferramenta principal para o fácil convencimento e imersão na história… e isso acontece nos primeiros minutos da história de Noa.

Sendo filho de um importante chefe do Clã da Águia, Noa carrega o espírito de um protagonista que tem o que é necessário para ser impactado pelos aprendizados e ao mesmo tempo impactar aqueles ao seu redor com seu caráter e coragem.

Kingdom of the Planet of the Apes (2024)

Mesmo com a evolução intelectual, com a criação de clãs e a organização comunitária, os macacos abandonam um aspecto humano essencial para a manutenção de uma sociedade: o conhecimento advindo da memória histórica. Sem sentir a necessidade de manter vivo um sistema que registra fatos de sua própria história, os macacos acabam sendo vítimas da própria ignorância. Assim, a história permeia por caminhos óbvios para quem nega ou dispensa o conhecimento: a aniquilação de comunidades a partir da deturpação de figuras emblemáticas e influenciadoras.

Planeta dos Macacos – O Reinado” eleva Caesar quase a uma figura religiosa, fazendo dele um messias para seu povo que carrega ensinamentos que permanecem vivos de alguma forma entre os demais. Contudo, sem algo para basear suas crenças, todo feito de Caesar é interpretado conforme as necessidades de quem governa, como é o caso do antagonista Proximius Ceaser, que, como seu nome já antecipa, se considera o próximo líder dos macacos. Logo, este filme, apesar de toda intensidade dramática que os eventos mencionados carregam, é regido por confrontos intensos, cruéis e brutais por disputa de poder.

Há também de mencionar como o arco da humanidade dentro desta produção é apresentado. Depois de assistir confrontos que levaram o fim dos seres humanos como conhecemos neste universo, agora observamos a resiliência dos sobreviventes ao vírus, ao ponto que começarmos a notar a proximidade com a história da trilogia original. Freya Allan vive Mae, uma jovem que surge de repente no Clã Águia. Sua jornada com Noa é marcada pelo egoísmo característico da humanidade, que não sabe se adaptar e carrega em seu DNA a mente de um colonizador. Logo, para além da escravidão promovida por um grupo de macacos, há também nesta história algo familiar dos seres humanos: sua apatia, desinteresse  e o ato de tirar vantagem de outras espécies.

Para alegria de muitos que estavam ansiosos para ver o que aconteceria com a franquia após a morte de um personagem inesquecível, “Planeta dos Macacos – O Reinado” se reafirma como uma história imperdível – principalmente no cinema. Com efeitos visuais de tirar o fôlego, personagens emblemáticos e uma história arrebatadora.

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