As 4 Filhas de Olfa (Les filles d’Olfa, 2023) é um documentário dirigido e roteirizado pela tunisiana Kaouther Ben Hania, que busca falar sobre o desaparecimento de duas garotas tunisianas na Líbia, contanto a partir da visão de sua mãe, Olfa, e estreia nos cinemas brasileiros no dia 07 março de 2024.
O documentário, que é parte filme e parte documentário, é uma uma coprodução França, Tunísia, Alemanha e Arábia Saudita e foi indicado ao Oscar 2024 de Melhor Documentário. Também concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes e representou a Tunísia na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Internacional.
Durante suas quase duas horas de duração, vamos conhecendo mais sobre Olfa, sua cultura e sua criação. Atrizes foram convidadas para interpretar Olfa e suas duas filhas desaparecidas e conforme revisitamos o passado, a própria Olfa aparece para ir contando como aconteceu na visão dela no presente. O que pode parecer uma bagunça, funciona muito bem para conectarmos as peças o quebra-cabeça que é a história do desaparecimento das duas filhas mais velhas e de como essa mãe e as duas filhas mais novas lidam com tudo.

A Tunísia é um país majoritariamente muçulmano e isso diz muito sobre os acontecimentos do filme. Olfa foi uma mulher rebelde da forma dela, faz parte de uma cultura que infelizmente é o que é e para eles é normal a forma como as mulheres são tratadas, é comum. E quando ela diz que faz com as filhas pior do que sua mãe fazia com ela, com a justificativa de ser mais seguro, é no mínimo incômodo. Na nossa visão ocidental, parece fácil sair daquilo, mas não é. Não quando essa realidade é tudo o que você, sua mãe, sua avó, suas antepassadas, conhecem. Nas palavras da própria Olfa enquanto ela segura uma gata prenha, “uma gata quando acuada e com medo, come os próprios filhotes” e talvez seja assim que as coisas sejam.
Por que as filhas mais velhas desapareceram? Elas fugiram? Bem, infelizmente a resposta é sim. Elas fugiram para se livrarem dos abusos da mãe e se casaram com homens que fazem parte de grupos radicais ligados à organização ISIS. Ao longo do documentário, vemos que elas aparecem na TV como procuradas e depois são presas pela associação criminosa.

Elas poderiam fugir de tudo, irem para algum país com mais liberdade, por que elas não fizeram isso? Bem, isso importa? Não cabe a nós julgarmos as escolhas delas e as escolhas da mãe, nem mesmo das filhas mais novas.
Numa mistura entre documentário, ficção e terapia, As 4 Filhas de Olfa nos conta sobre as diferenças entre gerações, as culpas da maternidade, abusos domésticos, o ciclo da violência, liberdade feminina, irmandade, religiosidade, rebelião e política sob o olhar não só das mulheres diretamente envolvidas na história, como também das atrizes convidadas.
Hoje, as filhas de Olfa continuam presas, elas tiveram filhas e seus maridos foram mortos.
As 4 Filhas de Olfa estreia nos cinemas brasileiros dia 07 de março com distribuição da Synapse Distribution.
NOTA: 4,5/5





