Utilizando de suas memórias e vivências, o novo filme de Andrew Haigh traz Andrew Scott e Paul Mescal em uma história sobre como passado e futuro estão entrelaçados. Rodeado por fantasmas de arrependimentos, “Todos Nós Desconhecidos” constrói uma jornada emocionante a respeito de família, sexualidade e aceitação.
Em “Todos Nós Desconhecidos” conhecemos o roteirista Adam (Scott) que, uma noite em seu prédio quase vazio em Londres, tem um encontro casual com seu misterioso vizinho Harry (Mescal), o que acaba abalando o ritmo de sua vida cotidiana. À medida que Adam e Harry se aproximam, Adam é levado de volta à casa de sua infância, onde descobre que seus pais falecidos (Claire Foy e Jamie Bell) estão vivos e parecem ter a mesma idade do dia em que morreram, há mais de trinta anos.
![All of Us Strangers: Estreia, história e tudo o que sabemos sobre o filme de Paul Mescal e Andrew Scott [LISTA]](https://rollingstone.uol.com.br/media/uploads/2023/10/all-of-us-strangers-estreia-historia-e-tudo-o-que-sabemos-sobre-o-filme-de-paul-mescal-e-andrew-scott-lista.jpg)
Com 1 hora e 45 minutos de duração, o longa traça uma narrativa intimista, focada em criar diálogos com o público através do roteiro e de sua composição visual, principalmente com ajuda de iluminações. Adam é um protagonista ferido pela vida, pelas tragédias que o cercam e pela solidão que ele é imerso. Por isso seus devaneios, reflexões e anseios são colocados em tela com muita intensidade. O filme, a todo momento, tenta fazer o espectador sentir todo conflito emocional que ele está enfrentando… e consegue.
Apesar de ser uma adaptação do livro Strangers do escritor japonês Taichi Yamada, “Todos Nós Desconhecidos” parece ser uma obra muito pessoal do cineasta. Andrew Haigh confirmou tal sensação em uma entrevista ao The New York Times, dizendo que a casa é sua residência de infância e as memórias compartilhadas através do protagonista são as suas memórias.

A partir do momento em que o protagonista enfrenta os fantasmas de seu passado, dizendo tudo que precisava dizer aos seus falecidos pais, recordando memórias afetivas e expondo feridas ainda abertas, o longa ganha uma dimensão mais profunda e dolorosa. O roteiro de Haigh é muito real e atinge um público além da comunidade LGBTQIAP+, fazendo do filme uma obra dramática tão identificável que pode causar incômodo necessário em quem assiste.
Claire Foy e Jamie Bell são espetaculares como coadjuvantes nesta produção, trazendo o arrependimento de pais que deixaram seu filho jovem demais e o anseio de fazer com que ele siga em frente. Já Paul Mescal é atribuído ao personagem que conecta diretamente com o futuro de Adam. Servindo quase como um estímulo de que ainda há vida (por mais irônico que isso possa soar), Harry é um turbilhão de emoções, todas essenciais para a mudança de perspectiva de Adam da sua própria vida.
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Com um grupo pequeno de personagens, poucas locações e a sensação de simplicidade e intimidade, “Todos Nós Desconhecidos” é um filme lindo… em todas as atribuições que a palavra pode ser designada. Muito além de uma “história de fantasmas”, o longa é uma carta aberta cheia de feridas expostas que geram reflexões doloridas não importa a fase da vida que você se encontra.
O longa estreia nos cinemas brasileiros no dia 07 de março.
Nota: 4/5








