CRÍTICA | Como seria ‘Meninas Malvadas’ hoje em dia? Bom, já sabemos.

Vinte anos depois da estreia do clássico Meninas Malvadas, as ‘plastics girls’ retornam em uma versão musical. Estrelado por Angourie Rice (Mare of Easttown), o longa também conta com Reneé Rapp (The Sex Lives of College Girls), Christopher Briney (O Verão que Mudou Minha Vida) e Auli’i Cravalho (Moana), além do retorno de Tim Meadows e Tina Fey nos seus respectivos papéis do filme original, essa última também voltando a assinar o roteiro. A produção é baseada no musical da Broadway que adapta o filme de 2004.

Creio que uma das primeiras que vieram à mente das pessoas que viveram Meninas Malvadas nos anos 2000 é se a narrativa daria certo nos dias atuais. Respondo de antemão que sim, o filme atualiza bem o universo para a era da imersão digital, inserindo o bullying digital e o uso de celulares na trama, além de deixar para trás piadas e subplots que hoje já não são vistos com bons olhos.

Agora falando da adaptação da trama original para o musical, em aspectos cruciais e na história maior da Caddy não teve muitas alterações, o que dá para sentir de perda é um empobrecimento do roteiro. Talvez por questão de tempo para as músicas, muito do desenvolvimento da história ficou corrido, como por exemplo, sentimos pouco a caminhada da mudança da Caddy de uma garota ingênua para se tornar uma das piores ‘plastics girls’ que já existiu. As coisas acontecem de maneira muito brusca e as mudanças dos personagens se tornam pouco impactantes.

Se o filme perde em desenvolvimento de roteiro, ele ganha bastante em produção. A produção sonora das músicas está magnífica, você consegue dar play na trilha sonora e ouvir como um álbum de tão boas que as músicas ficaram. A produção visual também não deixa nada a desejar, sendo muito bem cuidada desde uma ideia mais realista no cotidiano das personagens, até em aspectos mais imaginativos durante as canções.

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Angourie Rice já se mostrou uma ótima atriz durante sua carreira e faz um papel muito eficiente como Caddy, porém em alguns momentos ela fica um pouco apagada, muito também por contracenar com Reneé Rapp, que rouba a cena interpretando a Regina George toda vez que aparece, causando até uma certa ilusão de ela ser a personagem central da trama. Quando não está atuando do lado da magnífica Reneé, Angourie divide a tela com Auli’i Cravalho, que também rouba a cena quando está presente nas canções. Um personagem que ganhou um pouco mais de tempo de tela e desenvolvimento foi Damian, nessa versão interpretado pelo carismático Jaquel Spivey.

As duas seguidoras de Regina George também ganham seus momentos de destaque durante o filme. Gretchen, interpretada por Bebe Wood, não brilha tanto quanto os outros ao seu redor, mas também não se apaga e cumpre sua função na trama. A Karen da Avantika Vandanapu é com certeza uma das personagens mais engraçadas do longa, a atriz americana descendente de indianos que têm experiência no cinema da Índia traz toda a sua atuação corporal para extrair o máximo de comicidade da personagem, além de ter uma das melhores (talvez a melhor) música da produção. Quanto ao interesse romântico do filme , Aaron, na versão de 2024 é interpretado por Christopher Briney, que é um bom ator, mas não tem pinta de galã do Jonathan Bennett em 2004, o personagem também aparece menos na nova versão e é apenas uma escada para o desenvolvimento das personagens femininas.

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Meninas Malvadas: O Musical é uma ótima atualização de uma obra que ficou tão marcada no imaginário popular e até hoje rende memes. Na medida certa ele traz coisas iguais ao filme de 2004 (muitas falas são repetidas nos dois filmes), mas também faz as mudanças necessárias. Tina Fey comprova que não perdeu sua mão para a comédia e traz um roteiro que te tira boas gargalhadas. Além de ser um filme divertidíssimo, ajuda a concretizar a Reneé Rapp como uma postulante a ser uma das ‘divas’ da sua geração.

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