Ao olhar para a ficha técnica de “Mergulho Noturno”, nos surpreendemos positivamente. Distribuído como o novo filme de terror da excelente Blumhouse e produzido pelo famoso James Wan, o longa, dirigido por Bryce McGuire, tem até uma boa cena inicial, o que é importante para filmes do gênero, mas vai ladeira abaixo, como se uma âncora fosse amarrada no pé da produção e jogada no fundo do mar.
O maior – e talvez único – ponto alto do filme é a trilha sonora e a mixagem de som. Por mais que siga o modelo de outros longas do gênero, não arrisca e convence, tendo sucesso em criar certo nível de suspense e dar uns pequenos sustos ao longo dos quase 1h40min da produção. No entanto, os sustos ficam apenas nisso, visto que o filme pode ser facilmente esquecido depois de algumas poucas horas.

McGuire até tem algumas boas ideias. São claras certas referências que o diretor faz a filmes clássicos de terror, como Tubarão e It: A Coisa. No entanto, a falta de história e o exagero nos clichês, somados ao pouco carisma dos personagens apresentados, não convencem em nada, do início ao fim. Tirando uma ou outra boa frase apresentada no longa, o roteiro não avança.
Para variar, “Mergulho Noturno” cai nos mesmíssimos clichês de grande parte dos filmes de horror: casa gigante e linda à venda; família buscando uma reestruturação encontra casa, diferente da que estava procurando, e se apaixona; família compra casa e coisas estranhas começam a acontecer; membro sensato de família vai em busca da história de origem da casa; momento final do filme.
Absolutamente nada de novo é apresentado, o que não seria problema desde que a história demonstrada em 100 minutos, ao menos, entretece. O longa falha em se apresentar como um jumpscare e falha em criar o seu suspense. Até mesmo a narrativa lógica do filme é discutível, não ficando claro se a “assombração/maldição” estava em qualquer água da casa ou apenas na piscina.

Para completar uma vasta coleção de clichês, “Mergulho Noturno” também utiliza uma expressão estranha para falar sobre o fenômeno que está acontecendo na piscina/casa: Temagami. Em uma rápida pesquisa na internet, além de descobrir que é uma localidade no Canadá, também significa algo como “águas profundas”, o que faz sentido com o que é apresentado na produção, porém, não convence.
Estrelado pelos atores e atrizes Wyatt Russell, Kerry Condon, Amélie Hoeferle e Gavin Warren, “Mergulho Noturno” se assemelha a uma versão de fundo de quintal do filme “It: A Coisa”, tendo a diferença que não apresenta um vilão minimamente memorável. Um filme esquecível, que poderia, até mesmo, criar um gênero chamado “terror para assistir com a família”, pois dá um susto ou dois, mas é esquecível e dispensável.
Nota: 1,5/5








