CRÍTICA | “Os Filhos dos Outros” constrói bem um drama intimista e sensível

O drama francês, um dos destaques do Festival de Veneza de 2022, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 05 de outubro, com uma história sensível e de perspectiva distinta dos dramas que envolvem núcleo familiar. “Os Filhos dos Outros” é intimista e conta com ótimas performances, mas corre o perigo de se tornar um longa nichado.

Com distribuição da Synapse Distribution, o filme conta a história de Rachel (interpretada por Virginie Efira), uma professora que desperta seu desejo de ser mãe a partir do contato com a filha de 4 anos de seu namorado. 

Les enfants des autres»: être mère, mais pas tout à fait | Le Devoir

Com 1 hora e 43 minutos de duração, “Os Filhos dos Outros” conversa de forma bem afetiva com o público ao abordar o papel de uma mulher no mundo, a busca pelo seu lugar, sua missão, seja no âmbito familiar como mãe ou como uma profissional que se destaca.

O interessante da direção, e do roteiro também, de Rebecca Zlotowski é o fato de que a protagonista é a madrasta, uma personagem vilanizada pelos contos infantis ou esquecida nos dramas familiares. Nesta produção ela ganha um rosto, uma história, sonhos e medos. É muito fácil se apegar a Rachel pela forma como o personagem foi criada, mas principalmente pela performance de Virginie Efira, que é carismática, relacionável e gera em muitos momentos identificação com mulheres que se encontram jogadas à esmo.

Les Enfants des autres – Ad Vitam

Os Filhos dos Outros” constrói tão bem a relação entre madrasta e enteada, com altos e baixos, que é impossível não se emocionar em momentos pontuais da trama. Há um em particular, bem no terceiro ato do longa, que me arrancou lágrimas desenfreadas. E é nisso que o filme te conquista, pela construção dos laços afetivos! Apesar de ser um drama lento, que toma seu tempo para tecer sua narrativa, vale a pena quando vemos o quadro completo.

A produção é longe de ser perfeita, mas no seu objetivo principal ela encontra êxito. É fácil enxergar o desejo maternal sendo nutrido e alimentado conforme o filme progride, conforme assistimos a relação entre as personagens crescer. É fácil enxergar que o filme não é (só) sobre maternidade. Ao fim, fica ainda mais fácil ver que o maior objetivo da protagonista era ser alguém notável, de fazer a diferença na vida de alguém, de impactar e de inspirar. “Os Filhos dos Outros” é muito mais sobre os desejos e anseios da protagonista do que dos outros pelo qual o seu título se inspira.

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