Dirigido e roteirizado pelo alemão Dominik Moll (O Monge, 2011), A Noite do Dia 12 (2022) é um filme francês de drama e suspense que conta a história da investigação de um feminicídio em uma pequena cidade francesa. O filme foi o grande vencedor do César 2022 (o Oscar francês), levando 6 prêmios no total, incluindo melhor filme e melhor diretor, e estreia no Brasil nos cinemas nesta quarta-feira (12).
Durante suas quase duas horas de duração, A Noite do Dia 12 mostra o trabalho incansável do novato chefe da polícia investigativa Yohan (Bastien Bouillon) para descobrir o que houve na noite do dia 12 de outubro de 2016, quando a jovem Clara (Lula Cotton-Frapier) foi assassinada de forma brutal aos 21 anos.

O filme toma uma atitude corajosa que é contar ao telespectador logo no início que este é mais um caso de feminicídio sem solução. Mesmo assim, o telespectador continua assistindo na esperança de que o assassino seja descoberto e que ele pague pelos seus crimes. Mas isso não acontece e nunca vai ficar nada bem.
Yohan está determinado a desvendar esse crime, mas não há evidências, não há imagens de câmeras de segurança, não há testemunhas. Ele vai conversar com todas as pessoas com quem Clara conviveu para tentar traçar um possível culpado, se deparando com a vida de uma jovem que vivia seus 21 anos de solteirice da melhor forma: tendo vários namorados, saindo com várias pessoas, se divertindo sem compromisso.
Essa liberdade sexual de Clara é até usada por outros colegas de Yohan para “justificar” seu assassinato, como se fazer o que bem entender com o próprio corpo desse direito a qualquer um de machucá-la. Mais uma vez, o machismo tenta justificar o injustificável. A melhor amiga da Clara, Nanie (Pauline Serieys) chega a se irritar quando Yohan dá a entender que Clara foi morta porque era “promíscua”: “Sabe por que Clara foi assassinada? Eu te digo. Clara morreu porque ela era uma mulher.”, ela disse.

Moll mostra bem como é o cotidiano de uma investigação dentro de uma delegacia, como os policiais, na sua maioria homens, levam certos assuntos na brincadeira, sendo muitos vezes desrespeitosos com as vítimas. Inclusive, apenas depois de 3 anos uma investigadora mulher se junta à equipe para investigar o caso, mostrando o quão necessário é ter um olhar diferente para as coisas.
Nadia (Mouna Soualem) questiona Yohan se ele não acha estranho que os assassinos de mulheres sejam quase sempre homens e que os policiais também. “Os homens matam, os homens são a polícia… Um mundo de homens.”
O filme é triste e mesmo que seja ficção, ainda conta uma história bem real. Na vida real as estatísticas mostram o quão alarmantes são os números de feminicídios e todo o tipo de violência contra a mulher , além do número de de casos não solucionados de crimes que não são solucionados e as famílias nunca terão um desfecho sobre o que aconteceu com as vítimas e quem são os verdadeiros culpados.
A Noite do dia 12 estreia no Brasil nos cinemas nesta quarta-feira (12).
Nota: 4,5/5








