CRÍTICA | Succession termina sua trajetória fixando seu lugar na história das grandes produções

O tempo costuma ser o maior responsável por definir grandes obras. Raramente algo que se está em produção pode ganhar status de clássico, de grandioso, de icônico. Algumas obras se perdem no processo, outras descobrimos que a grandiosidade estava no “hype” dos telespectadores. Esse não é o caso de Succession

A série se tornou grande desde o início, ainda que não fosse um grande clássico. Mas a jornada que a criação de Jesse Armstrong desenvolveu, conseguiu, sem dúvidas, alçá-la a este patamar. 

No último domingo (28), Succession teve seu episódio final exibido e adicionado ao catálogo da HBO Max. Durante seus quase 90 minutos o finale intitulado “De olhos abertos” evoca todos os tipos de sentimento que a série conseguiu criar no telespectador ao longo dos seus quatro anos. É um episódio agridoce no sentido literal da palavra, que tem sabor amargo e doce ao mesmo tempo, porque sejamos sinceros nenhum personagem da série presta, então é doce que tenham finais terríveis dentro das perspectivas que lhe cabem. Mas estamos falando de dramaturgia e queremos que a história termine o menos ruim possível para aqueles que nos conquistaram dentro de tela. Desse modo, é exatamente o final que fixa essa obra no hall das grandes e inesquecíveis. 

Pela construção dos episódios ao longo desta quarta temporada, não houve grandes surpresas dentro do grande jogo de sucessão. Então é fantástico que um momento divertido entre irmãos seja um dos mais dolorosos do episódio final. Doloroso não por ser um momento ruim, mas por ser finito, sem duração, que é de fato apenas um momento. 

A direção de Mark Mylod é excepcional, honesta, crua, visceral. E talvez seja por isso que esse momento íntimo na cozinha tenha muita dor envolvida. Dor de potencial desperdiçado. Eles poderiam ter tido tudo, se não fosse pela jornada a que foram submetidos. A conexão entre Jeremy Strong (Kendall), Kieran Culkin (Roman) e Sarah Snook (Shiv) é palpável, bem construída e traz um brilho especial ao momento. Como se o telespectador precisasse torcer para que encerrasse ali, porque nitidamente o final não será bonito como este momento foi. 

E é nesse desejo de felicidade que a onipresença do Logan (Brian Cox) está mais forte. Claro que sentimos isso em vários momentos, nos piores momentos possíveis. Mas quando os irmãos parecem ter encontrado um equilíbrio e um momento de paz, a presença do pai é o fio que conduz o telespectador ao desespero.

Os trinta minutos finais são agonizantes, cada passo parece destruir um pouco a dinâmica anterior. Aqui o trabalho de direção é impecável, a trilha, a imponência. Se toda a construção da temporada não deixou claro que Succession já é um grande acontecimento, esses minutos explicitam o fato. 

Ao mesmo tempo que tudo parece decidido, os peões seguem fazendo movimentos. Tom (Matthew MacFadyen) e Greg (Nicholas Braun) estão fazendo articulações opostas aproveitando cada minuto até o momento em que a decisão será definitiva. 

Talvez o melhor caminho é um final que não parece final. É um encerramento sim, da jornada do telespectador com aquela história, mas o universo de Succession segue vivo e os rumos de cada um ficam na interpretação pessoal. Kendall seguiu sentado ou tomou alguma atitude em linha reta? Shiv se consagra como esposa ou terá algum poder sobre o CEO? Roman alcançou uma clareza pessoal? Connor está em paz com suas certezas sobre a vida? Tudo é apenas uma grande suposição, mas nada é aberto demais a ponto de se tornar preguiçoso. É um final. 

De alguma forma a história contada em Succession encontrou uma grandiosidade no final que poucas obras conseguiram e, assim, com episódios como Connor ‘s Wedding e American Decides, a temporada se consagrou como a melhor. Colocando a série em um patamar que só grandes obras já conseguiram. 

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *