Apostando em discussões sobre o amor após a maturidade, “Casamento em Família” utiliza de um artificio clichê das romcom dos anos 2000 para chamar atenção do público. Com um elenco de estrelas, o filme é surpreendente e foge do óbvio com um roteiro que conversa muito mais com o público mais velho.
Com roteiro e direção de Michael Jacobs, o filme conta a história de Michelle (Emma Roberts) e Allen (Luke Bracey), um casal que está em um impasse sobre o próximo grande passo de seu relacionamento. Enquanto Michele quer se casar, Allen não tem tanta certeza e entra em pânico. Ambos recorrem aos seus pais, mas eles próprios devem lidar com seus próprios segredos, inseguranças e traições. O caos se instaura quando todos se reúnem e a verdade vem à tona.

É Indiscutível que um filme que tem Diane Keaton, Susan Sarandon, Richard Gere e William H. Macy no elenco consegue cativar atenção de qualquer espectador. Unindo quatro grandes nomes do cinema, “Casamento em Família” pode ter inúmeros defeitos mas atuação e entrosamento não é um deles.
Apesar da proposta inicial do longa tenha sido abordar o relacionamento de Michelle e Allen, o início de suas vidas como casados, “Casamento em Família” na verdade traça um caminho muito mais profundo do que uma comédia romântica onde dois jovens se casam e o humor de sua família se fundindo.
O filme conversa muito com a maturidade do matrimônio, as mudanças, as fases de um relacionamento duradouro, os receios e a transformação do amor. O seu diálogo é bem mais intenso quando coloca à prova o casamento de ambos os pais. O roteiro escolhe trabalhar com o público +60, mostrando suas inseguranças, seus desejos e seus maiores medos. Todo desenvolvimento é intenso dramaticamente, ao tempo que carrega o humor leve e ácido que os atores tem como marca registrada.

Emma Roberts e Luke Bracey se reúnem após 3 anos, depois de terem trabalhado juntos na comédia romântica da Netflix, “Amor com Data Marcada“. A dupla ainda compartilha de uma química muito visível e fácil de ser absorvida. Todavia, a construção de seus personagens é rasa e deixa o debate entre os dois mais irritante do que compreensível.
Como o roteiro escolhe focar no dilema de seus pais, Roberts é prejudicada porque é transformada em uma namorada que praticamente força o seu companheiro a se casar. Incisiva e insistente, chega ser em alguns momentos desconfortável ver como toda conversa dos dois acaba sendo um cabo de guerra, jogando a aposta do seu futuro junto em brigas e punições. Ainda assim, há de entender que a narrativa cria essa disparidade entre a personalidade dos dois quando observamos o relacionamento de seus pais…mesmo assim, isso não faz da execução menos desastrosa.
“Casamento em Família” é um bom filme para quem procura romances dramáticos que focam em um público mais velho. Caso, você procure uma comédia romântica que foque no casal mais jovem… você vai se decepcionar, já que eles são meras ferramentas para uma construção que vai além deles. Todavia, reforço que o longa surpreende por fugir do óbvio e trazer uma ótica que não costumamos ver no cinema.
Nota: 3,3/5








