Após quase 4 anos de “Mistério no Mediterrâneo“, Jennifer Aniston e Adam Sandler retornam à Netflix para dar continuidade a comédia investigativa que agora é ambientada na cidade da luz. “Mistério em Paris” traz o casal de protagonistas em uma história que eleva a qualidade narrativa do primeiro, ao tempo que tem seu mistério com um peso menor em comparação.
Nesta sequência Nick Spitz (Adam Sandler) e Audrey Spitz (Jennifer Aniston) abandonam suas profissões antigas e abrem uma agência de investigações – que está rumo ao fracasso. Até que seu amigo Maharajah (Adeel Akhtar) entra em contato os convidando para seu casamento em uma ilha privada de luxo. Todavia, Maharajah é sequestrado no meio de sua própria festa de casamento e é então que começa uma caçada internacional da dupla de investigadores para resgatar o amigo milionário.

Com 1 hora e 30 minutos de duração, “Mistério em Paris” parece ter elevado a qualidade narrativa em relação ao seu antecessor. O roteiro e direção de James Vanderbilt (que trabalhou no filme anterior como roteirista) é mais coeso e direto ao ponto, não se utiliza de uma quantidade excessiva de reviravoltas para se tornar interessante, mas mantém a tensão do espectador com melhores cenas de ação.
Ainda assim, as escolhas narrativas são questionáveis. Principalmente ao dar um destaque de vilão principal a alguém que é visto apenas como um capanga dentro da história, porém interpretado por uma grande estrela. Há um certo estranhamento na conclusão da história, não há emoção nem surpresa ao descobrir todo o mistério final, como se algo faltasse ali. Mas, na verdade, o fato é que o filme foca tanto em grandes cenas de confrontos e explosões que esquece de que um filme de mistério não deve ter sua maior resolução feita faltando segundos para acabar o filme.

Quanto ao elenco não há muito o que ser dito. Jennifer Aniston e Adam Sandler compartilham de um carisma e química já conhecidos e amados pelo público, conseguem conduzir a história do começo ao fim – ainda que nesta produção tenha exigido muito deles fisicamente. A adição do novo elenco foi uma grande e positiva surpresa, mas nada que se destaque além do esperado.
Um dos grandes pontos positivos desta produção, além de sua direção bem assertiva, foi a escolha de inserir elementos tradicionais do casamento indiano. Há riqueza em cores, coreografias, música… é um espetáculo visual! As cenas da ilha são tão prazerosas de serem assistidas que quando o filme vai para o centro europeu em Paris causa um desânimo com tanta sobriedade.

“Mistério em Paris” é daqueles filmes que só funciona se você for adepto do humor que ele reproduz. É bobo, extravagante e muito divertido se você for capaz de entrar em sua proposta. Apesar do desdobrar do mistério central ser um pouco decepcionante, todas as cenas que levam a isso estranhamente compensam. Ainda assim, não podemos esperar muito de um filme cuja sua missão é praticamente ser uma paródia das histórias de Agatha Christie.
Nota: 3/5








