O mais novo lançamento sul-coreano da Netflix trouxe Jeon Do-Yeon vivendo uma vida dupla, entre ser uma mãe exemplar e uma assassina letal. “Kill BokSoon” estreou no catálogo do streaming no último dia de março, com ótimas cenas de ação e personagens intensos, porém em uma trama confusa e ineficaz em definir seu objetivo principal.
No filme conhecemos Gil Boksoon (Jeon), que parece uma mulher normal, mas ela esconde um segredo: vive uma vida dupla. Uma hora ela é a mãe de uma adolescente, mas depois ela vira uma da assassina de aluguel lendária na agência MK. Tentando equilibrar a maternidade do trabalho letal, ela acaba se recusando a fazer um trabalho e compra uma briga inevitável.

O mais incrível do desempenho de Jeon Do-Yeon foi a facilidade com que teve de desvincular sua imagem doce recém feita em seu último dorama do streaming, Intensivão do Amor. Diferente do drama, em que há uma áurea mais leve e de comédia romântica, aqui a atriz vive uma assassina impiedosa e extremamente capaz em tudo que se propõe a fazer. Apesar disso, o filme falha em apresentar a dualidade entre mãe e assassina, assim deixando a desejar em algumas pontas soltas inseridas na trama.
O núcleo que envolve a filha é desleixado. Apesar de inserir uma trama inteira para Gil Jae-Young (Kim Si-A), ela não casa com o objetivo central do filme. Ainda assim, é um ponto extremamente positivo o fato de produções sul-coreanas inserirem personagens LGBTQIA+ em suas histórias, porém a que custo? De forma vazia, sem propósito… ainda é um ganho? Frustra o fato de que a dualidade da protagonista, como mãe e assassina, não é colocada a prova como risco de vida ao seu âmbito familiar, o que deixa tudo mais azedo dentro do roteiro.

O filme é excessivamente e desnecessariamente longo. Em suas 2 horas e 17 minutos de duração, “Kill BokSoon” aposta em explorar inúmeras histórias ao redor da protagonista – muitas não levam a lugar algum – deixando o filme arrastado e, por muitas vezes, cansativo de ser assistido. Até chegar ao seu objetivo principal 1 hora e 20 minutos já passaram, e, tenha certeza quando digo, metade desse tempo poderia ser retirado que não faria diferença alguma no propósito principal da obra.
Se o roteiro de Sung-hyun Byun passa do ponto, a sua direção é certeira quando o assunto é assunto. Os posicionamentos de câmera e a montagem na pós produção foram essenciais aliados da Jeon Do-Yeon em suas cenas de lutas. A atriz sabe muito bem conduzir toda dinâmica, mas os aspectos mais técnicos foram de suma importância para deixar o espectador sem fôlego. E isso fica claro logo nos minutos iniciais, quando há uma cena em que dita o tom do filme de forma exímia e surpreendente.
“Kill BokSoon” é um filme de ação que acaba pegando emprestado muitos artifícios narrativos de outros filmes já conhecidos, mas consegue criar uma identidade com a ajuda da atriz principal. É inegável que sua história é atrativa, tudo que envolve sua profissão é puro entretenimento, mas ele se perde ao inserir muitas sub tramas que deixam o espectador disperso e sem entender qual é o propósito do filme.
Nota: 3/5








