Desejo Proibido conta a história de Max (Simone Susinna), que inicia a desenvolver um romance com Olga (Magdalena Boczarska), porém no passado Max tinha se envolvido com Maya (Katarzyna Sawczuk), filha de Olga. Olga e Max embarcam em um romance tórrido, até que a filha de Olga descobre e põe tudo a perder. O filme polonês é dirigido por Tomasz Mandes (365 dias) e chega dia 6 de abril no Brasil.
Confesso que não sou fã de filmes de romance eróticos, mas assisti a Desejo Proibido de cabeça aberta e tentando não colocar meus pré-conceitos enquanto o via. De início o filme me surpreende com um jogo de câmera e de montagem interessante, fugindo do modo clássico de apresentar os personagens principais. Além disso, o longa utiliza de uma não linearidade temporal, que sendo bem explorada poderia ser um ótimo recurso para a trama e o suspense que ela propõe. Bem, poderia.
Se os 10 minutos iniciais de Desejo Proibido são promissores, o filme descamba para um emaranhado de tramas e diálogos que não fazem sentido e deixam o espectador perdido. Os personagens são apresentados de maneira solta, não sabemos suas motivações, como eles chegaram ali, e nem para onde eles querem ir. O roteiro é raso e não se preocupa em explorar os problemas que propõe e só joga mais problemas ainda para seus personagens.

Se o roteiro já não ajuda o filme, a interpretação de Simone Susinna não faz nada para que melhore (em certos momentos deixa ainda pior). Fica claro que o ator está naquele personagem pelo seu corpo escultural, pois ele não consegue expressar nenhum sentimento que o personagem pede, o deixando cada vez mais raso e menos empático para com o público. Magdalena Boczarska, no papel de Olga e protagonista do filme, faz um trabalho decente e conseguimos sentir as emoções e os altos e baixos da personagem, mas o seu entorno não consegue acompanhá-la.
Desejo Proibido aposta em poucos diálogos, o filme é silencioso, trabalha muito com as trocas de olhares e exponencia isso com a trilha sonora, porém mais uma vez não faz bem. Seja querendo nos envolver em momentos românticos para nos apaixonarmos pelo casal ou nos excitar em momentos quentes, a trilha sonora destoa do sentimento. As músicas escolhidas são exageradas e fora do tom, ao invés de emergir mais o espectador, ela o tira da cena para um lugar não bom para a experiência.

Não é a primeira vez que vemos um triângulo amoroso envolvendo mãe e filha na ficção, porém o filme não dá explicações convincentes para ele acontecer, com um diálogo, ou até mesmo um grito de uma frase nos 30 minutos de filme teria solucionado todo o problema da trama. Mas mesmo com mais pontos negativos que positivos, o filme nos dá uma reviravolta no terceiro ato, nos fazendo rever os conceitos sobre os personagens e suas ações, e ele se encaminhava para um final digno, até que acrescenta mais 5 minutos de filme e destrói todo final que tinha sido construído, fazendo o longa acabar com um gosto mais que amargo e revoltante.
Desejo Proibido é um filme totalmente imprevisível, normalmente usamos isso como um elogio, mas nesse caso o que o torna imprevisível é a sequência de escolhas erradas que o roteiro faz, chegando ao ponto de não sabermos mais o rumo que o filme vai tomar. O único desejo que Desejo Proibido me causou foi o de desligar a televisão e ir embora.
NOTA: 0,5/5








