A Tribernna assistiu o filme antecipadamente a convite da Warner Bros. Pictures
Cinebiografias esportivas fazem parte de um gênero do cinema que tendem a inspirar e motivar os espectadores com suas histórias de superação e conquista. Mas, o que falar sobre uma biografia focada em….marketing? O novo longa dirigido por Ben Affleck, “AIR: A História Por Trás Do Logo“, vem para destrinchar uma jornada movida a paixão, sonhos e como conquistar a imortalidade na história da humanidade.
O longa – que está sendo extremamente ovacionado nos festivais internacionais de cinema – é baseado na história real do chefe da marca esportiva e de calçados Nike, Sonny Vaccaro (Matt Damon), e do fundador da Nike, Phil Knight (Ben Affleck). Ambos estão tentando tornar a marca uma das mais famosas da história, então tentam fazer com que a lenda do basquete Michael Jordan endosse seus produtos na década de 1980, ainda que a empresa não seja bem vista dentro do ramo do basquete.

“AIR: A História Por Trás Do Logo” assume dois pilares essenciais para estabelecer um vinculo com a audiência, e nenhum deles é o Michael Jordan. Alex Convery cria um roteiro que destrincha através de um drama envolvente sobre paixão e determinação, tanto da parte do protagonista vivido por Damon, quanto para outra figura importante para o filme: a mãe de Jordan, Deloris Jordan, vivida por Viola Davis.
Persuasivo e visionário, Sonny é quase construído como um anti-herói, um zero a esquerda, que consegue conquistar o que almeja após tanta descrença. Apesar de ser algo bastante clichê dentro de um drama, a forma como foi conduzido e construído em sua persona o faz ser cativante e emocionante de ser assistido. Matt Damon, ainda assim, não surpreende em sua atuação, entregando tudo aquilo que já conhecemos anteriormente, porém com uma pitada de intensidade em seus momentos finais.
Toda ambientação do longa é um ponto extremamente positivo. Ao se estabelecer nos anos 80, a obra não se limita a roupas e caracterização dos personagens para nos situar de sua época (apesar de que isso também foi muito bem executado). A própria direção de imagem e a trilha sonora nos levam de volta a esta década tão marcante para a cultura pop. Em determinados momentos, com posicionamento de câmera ou até mesmo a edição, é fácil confundir que estamos vendo um filme dos anos 80, de tão imersivo.

Este não é o primeiro trabalho de Affleck na direção de um longa metragem, no entanto é o primeiro em que é possível ver com clareza uma maturidade e sutileza ao contar uma história dramática com pitadas de um humor sarcástico. Ben consegue sair um pouco do escopo de ação e mistério em que estava inserido e, enfim, consegue atribuir em suas escolhas criativas o melhor tom cômico possível para esta história. Isso acaba sendo um trabalho em conjunto com o roteiro de Convery, que cria diálogos poderosos, rápidos e inteligentes.
O elenco foi um grande acerto de “AIR: A História Por Trás Do Logo” , trazer a um filme com este tom personalidades reais sem tornar caricato é uma tarefa muito difícil, mas foi executada com louvor. A escolha de não escalar um ator para viver Michael Jordan e usar somente jogos de câmera foi uma escolha ousada, que – confesso eu – tinha um receio do rumo pelo qual a história iria tomar. Todavia, isso deu liberdade ao roteiro de seguir para um caminho de projeções futuras e impactos, além de unir imagens reais do jogador na montagem da sua produção. Elevando a mensagem da história além de sua imagem, e, sim, da sua imortalidade e implicações diante de uma negociação que mudou a história de milhares de jogadores após seu feito.
Quanto aos demais personagens, ainda não citados neste texto, destacam Davis que consegue transmitir com suavidade toda sua força, influência e coragem em um tempo limitado de tela, mas ainda muito relevante para a trama. Chris Tucker é uma deliciosa surpresa, com seu carisma já conhecido, Tucker vive Howard White, uma personalidade real e de suma importância para a negociação. Chris Messina aumenta a dose do humor sarcástico e exagerado vivendo o empresário de Jordan, protagonizando uma das cenas mais engraçadas de toda trama e dando um vislumbre da corrida incansável que acontecia nos bastidores.

Mesmo que você não saiba da história do Michael Jordan ou da Nike, o filme se faz ser facilmente compreendido. Ele consegue elaborar de um jeito que torna tudo bem atrativo para o entretenimento audiovisual, como a empresa estava em maus lençóis e por uma audácia de um time de funcionários todo esse cenário mudou. Apesar de uma corrida por uma venda, um marketing em si, soe um tanto monótono, “AIR: A História Por Trás Do Logo” passa longe disso! A história é emocionante e surpreendente pela forma como traz suas motivações vinculadas a um amor, uma paixão e um sonho.
Aos fãs de basquete, tenho certeza que irão se deliciar com referências e menções a ícones já estabelecidos no esporte e os que ainda vão ser. “AIR: A História Por Trás Do Logo” traz à luz da trama o amor pelo basquete de uma forma que impacta a visão que o público tem em tudo que envolve o atleta, ele vai além e transforma Sonny em um sonhador visionário e Michael Jordan em uma lenda que sabe seu valor.
Nota: 4,5/5








