Não é novidade que Emily em Paris se tornou o tipo de série para assistir com a mente desligada. Embora a primeira temporada tenha sido bastante aclamada e, de certo modo, divertida e criativa. A segunda jogou fora todo o potencial que tinha ao se perder em triângulos amorosos e plots de traição, e a terceira temporada, que estreou em dezembro de 2022, seguiu o mesmo caminho ao deixar de lado todo o arco de trabalho e looks fantásticos para focar em subtramas vazias que não saem do lugar.
A temporada começa exatamente onde a terceira terminou, com Emily (Lilly Collins), precisando lidar com uma grande escolha e se martirizando por isso. No primeiro episódio tudo acontece; a decisão de não escolher, as consequências e os grandes problemas que vão se alongar nos 10 episódios da temporada e, para variar, não serão resolvidos.

Porém, o grande problema da série é ter potencial. Se não tivesse, seria mais uma que se torna esquecível após a maratona, mas Emily em Paris tem potencial para ser muito maior e é a sensação de desperdício que acaba frustrando o telespectador que segue em frente, mesmo quando cada episódio fica mais difícil de engolir.
Mindy (Ashley Park) é uma personagem extremamente carismática e que rouba a cena em todos os momentos que aparece, mas acaba tendo sua história reduzida a conflitos amorosos. Na verdade, todas as protagonistas acabam tendo a vida definida por conflitos amorosos, com exceção de Madeline (Kate Walsh), a chefe de Emilly acaba sendo a única personagem feminina nesta temporada que vive em função do trabalho. Algo que, inicialmente foi vendido como a história da protagonistas, mas de triângulo em triângulo acabou sendo reduzida apenas ao romance.

Toda a trama vai e volta entre Emily, Gabriel (Lucas Bravo) e com quem a mocinha deve ficar. Se essa história já estava exaustiva na segunda temporada, aqui se torna intragável. Mais uma vez esse enredo toma conta de todo o andamento da série e, talvez ,ninguém aguente mais. Até Silvye (Philippine Leroy-Beaulieu), um dos grandes destaques da segunda temporada, foi aqui reduzida também a um triângulo amoroso.
Desse jeito, a terceira temporada de Emily em Paris se torna mais um desses entretenimentos passageiros que, em instantes, se tornam esquecíveis. Mas na verdade, o verdadeiro problema aqui é que a série poderia ser muito mais.

Ficam de lado o trabalho, os looks e a paisagem de Paris. Acampam em cena os dramalhões cansativos, os enormes triângulos amorosos e todo o tipo de traição possível. É de esperar se a quarta temporada vai dar mais uma volta ao redor de si mesma ou tomar coragem para dar um passo além e definir que história quer contar.
As três temporadas da série estão disponíveis na Netflix.








