Na última semana a Netflix lançou sua nova comédia: Blockbuster. Estrelada por Melissa Fumero (Brooklyn 99) e Randall Park (Fresh Off the Boat e WandaVision), e criada por Vanessa Ramos, a série recebeu diversas críticas da crítica especializada e do público. O show conta a história da última Blockbuster existente nos Estados Unidos e da luta de Timmy (Park) e seus funcionários para manter a videolocadora aberta na era dos streamings.
Blockbuster traz sem medo o modelo de sitcom famoso nas décadas passadas que tem um estilo único de televisão. A premissa da série nos remete logo a outras comédias famosas, como Brooklyn 99 e Superstore, e em ambas a criadora da série, Vanessa Ramos, trabalhou. A sensação que fica ao assistir o novo show da Netflix é que ela foi pensada para ser lançada uma década atrás, e agora que surgiu a oportunidade já tinha passado o seu momento.
Como dito no título da crítica, Blockbuster tem uma boa ideia, ela poderia muito trabalhar em cima da nostalgia que está tão em alta atualmente (e a própria série faz menção a isso em um diálogo), mas não vemos nada disso em cena. O plot maior da série é abafado pelos dramas pessoais dos personagens que são caricatos como personagens do início dos anos 2000. O desenvolvimento individual não seria um problema, se os problemas não tivessem resoluções tão óbvias que não te surpreende em nenhum momento da série.

O roteiro com certeza é o ponto mais baixo da série. Os atores se esforçam para dar um ânimo no show, porém vemos uma direção exagerada que traz uma personagem para Melissa Fumero que mais remete a uma Amy de B99 fracassada, além de desperdiçar o potencial dos outros atores. Algumas piadas funcionam e conseguem te arrancar algumas risadas, mas no geral elas se tornam repetitivas ou entram em um timing tão errado que o espectador não consegue esboçar alguma reação.
Outra oportunidade perdida por quem escreveu as piadas foi a cinefilia. A série se passa em uma locadora, mas traz um escasso repertório de piadas com filmes, e quando as traz são filmes que temos que nos forçar a pensar em qual filme eles estão falando (eu sou um brasileiro de 26 anos, talvez tenha funcionado melhor em outras regiões ou faixas etárias).

É uma pena ter visto essa série desperdiçar todo o seu potencial. Blockbuster certamente foi lançada no tempo errado e da forma errada (ela poderia ser muito melhor aproveitada em episódios semanais que em um modelo que a Netflix instaurou de maratona). Pelo retrospecto de cancelamentos da plataforma, é bem possível que não veremos uma segunda temporada da comédia, que provavelmente daqui há algum tempo será só mais uma série esquecida no catálogo da Netflix, assim como a Blockbuster é no mercado de vídeo.
Nota: 2/5








