A Tribernna assistiu ao filme antecipadamente a convite da Warner Bros
Após 15 anos de ter sido anunciado como o anti-herói da DC, os planos de Dwayne Johnson finalmente se concretizaram e o tão esperado filme solo do anti-herói Adão Negro veio aí!
O filme dirigido por Jaume Collet-Serra optou por contar a história de origem do antagonista do Shazam de forma mais pé no chão e cheia de críticas sociais atuais. Nascido na antiga-escravizada Kahndaq, Teth-Adam acorda após 5 mil anos de um conflito mortal entre ele e seu escravizador.

Adão Negro começa de forma muito interessante de ser analisada. Apesar de já conhecermos o personagem como alguém impiedoso e violento, o filme tenta nos mostrar uma perspectiva diferente do previsto. Ao acordar, Teth-Adam é visto como um salvador. Sua antiga terra natal ainda não era livre, agora vivendo em um governo quase que ditatorial a população clama pela ajuda de seu campeão. É instigante observar os ideais de seu antigo-eu mortal entrando em conflito com sua fúria interna ao tomar decisões.
Ainda assim vale ressaltar que o personagem não é um herói. O roteiro de Adam Sztykiel e Rory Haines deixa claro que ele acaba sendo um “mal necessário” dentro de tanta destruição. Isso tudo fica mais fácil de digerir e aceitar graças a construção de seu passado doloroso, todo efeito pós escravidão dentro dele faz com que ele seja alguém que não acarretará ordem de ninguém, nem de alguém fora deste planeta. O que o torna um campeão imprevisível e instável.

Ainda falando de seu passado e toda sua trajetória no decorrer do filme, fica fácil de observar algumas referências cinematográficas presentes principalmente na primeira parte do longa. Como por exemplo, há claramente elementos característicos de filmes como 300 e o clássico A Múmia, além de uma pitada de Zack Snyder na direção de Collet-Serra, que, como Snyder, sabe transformar uma história intensa e emblemática em uma aventura de tirar o fôlego (com muito slow motion).
Dwayne Johnson entrega um personagem que falta um pouco do carisma já característico do ator, o que é um ponto positivo e faz a gente se desassociar da imagem “gente boa” que o ator propaga na vida real. Confesso que no começo gera um incômodo pela estranheza, no entanto, isso logo é dissipado e o desempenho do ator condiz com a personalidade construída em tela.

Além de Adão Negro, o filme consegue inserir personagens da DC não tão conhecidos no mainstream, mas icônicos nos quadrinhos. Em Adão Negro nos é apresentado (uma parte, pelo menos) da Sociedade da Justiça, com Pierce Brosnan como Senhor Destino, Aldis Hodge como Gavião Negro, Noah Centineo como Esmaga-Átomo e Quintessa Swindell como Cyclone.
É necessário deixar claro de antemão que a química entre a equipe foi absolutamente incrível de ser assistido, fazendo qualquer fã de super-herói vibrar na cadeira do cinema enquanto assiste as lutas em seus gloriosos uniformes. Ainda assim, Brosnan e Hodge se destacam e por muitas vezes chamam até mais atenção que nosso protagonista Johnson.

No entanto, não espere tamanha profundidade da Sociedade da Justiça, já que em Adão Negro eles são meros acessórios da narrativa em contrapor o mal e o bem, mostrar o que é esperado de um herói e de um antiherói. Muito menos amontoa o filme de muitas informações, já que fica claro o caminho da jornada do protagonista e tudo que o leva a ter o fim que teve. Ao fim é possível ver que este filme teve a missão de introduzir um personagem imbatível e uma possível ameaça aos personagens mais poderosos do universo.
Adão Negro não é um filme inovador nem a melhor produção da DC Comics no cinema. Não apostem todas suas fichas em ver um filme denso e com muita profundidade. Todavia, ele cumpre todo seu papel, do início ao fim, ao contar uma história coesa, com uma narrativa fluída, apostando em conflitos intensos característicos do personagem principal a todo momento, regado de cenas violentas que podem chocar o público, e, principalmente, entretendo o fã de super-herói que estava com saudades de um blockbuster de qualidade.
Uma coisa é certa, Adão Negro não é um filme que vai passar despercebido. Ame ou odeie, você ainda vai ouvir falar muito dele. O filme estreia nos cinemas brasileiros no dia 20 de outubro.
Nota: 4,1/5








