CRÍTICA | “A casa do dragão” finalmente tem guerra declarada em sétimo episódio intenso

Embora todos os episódios de A casa do dragão lançados até agora tenham deixado bem óbvio o ponto central da trama, a guerra principal ainda estava sendo trabalhada nas entrelinhas. No entanto, no episódio sete, lançado no último domingo 03, ficou bem claro que a verdadeira guerra não só foi declarada como já começou.

O sétimo episódio intitulado Driftmark já começa com o resultado direto dos acontecimentos do episódio anterior, nesse caso é o velório de Laena Velaryon (Nanna Blondell) que serve de pretexto para unir todos os personagens principais, preparar o terreno para os próximos acontecimentos e entregar o contexto que deve definir o encerramento desse primeiro ano da série.

De um lado tem a família Velaryon em luto após perder uma filha, do outro tem a princesa Rhaenyra (Emma D’Arcy) tentando por em prática uma primeira estratégia de luta e no meio disso tudo tem dezenas de pormenores acontecendo ao mesmo tempo. A sombra do questionamento da linhagem da princesa, o retorno de Otto Hightower (Rhys Ifans) a função de mão do rei, a proximidade entre os primos Velaryon, a completa falta de interesse político do príncipe Aegon (Ty Tennant ), a deterioração constante do rei Viserys (Paddy Considine), etc.

Driftmark é o tipo de episódio que sempre rendeu bons momentos em Game of Thrones, e aqui também funciona, que é a sensação de caos com tanta coisa escalando ao mesmo tempo. Os detalhes lançados ao longo dos outros episódios começam a se unir aqui e tudo vai se tornando uma bola de neve até literalmente os minutos finais.

Segundo o diretor Miguel Sapochnik, Driftmark foi o primeiro episódio de A casa do dragão a ser gravado porque ele tinha o objetivo de definir o tom exato que a série deveria ter tanto nos 6 episódios anteriores quanto nos três últimos. Em tese da para dizer que é o episódio mais importante da série até agora e de fato ele se comporta como tal. Os acontecimentos aqui são frenéticos, mas não são atropelados justamente por que o roteiro de Kevin Lau acompanha muito bem o desenrolar de cada subtrama.

Porém o problema aqui é olhar a perspectiva da temporada porque, de fato, Driftmark é um episódio excelente e sem dúvida um dos melhores desse primeiro ano. Mas a série é pensada a partir de uma temporada e nesse sentido algumas falhas precisam de apontamentos. A forma como alguns elementos parecem desencaixar da própria realidade desse universo acaba causando algumas dúvidas, como Laenor (John Macmillan) aceitar fugir deixando uma família enlutada para trás ou o próprio Daemon (Matt Smith) ter um desenvolvimento conturbado com as filhas para fazer mais sentido o final do episódio.

Outro ponto negativo e bastante incomodo é a completa escuridão do episódio. Já é de senso comum que episódios escuros são um recurso para baratear o CGI, principalmente em cenas que envolvem dragões. Mas nesse em específico pesou um pouco demais a mão tornando quase impossível enxergar certos momentos.

O ponto alto aqui é dividido em dois momentos que acabam sendo causa e consequência; a decisão de Aemond Targaryen (Leo Ashton) de domar Vhagar , que rende um dos momentos mais bonitos da série até agora. E a tão aguardada briga entre Alicent (Olivia Cooke) e Rhaenyra onde a primeira finalmente sai de seu pedestal e acaba exibindo todo o ódio que sente pela princesa e herdeira do trono. Aqui Olivia e Emma entregam uma das cenas mais intensas da série e que, de fato, definirá todo o rumo dos episódios seguintes.

Driftmark encerra com o resultado da primeira jogada real da princesa, culminando assim no seu casamento com Daemon e na união que define não só o lema Targaryen como também o lema da dança dos dragões; fogo e sangue. E no melhor estilo “acordamos pra guerra” é intercalado as primeiras articulações do novo casal seguido da realização de um casamento secreto valiriano, onde a série acaba por concluir algo que já era aguardado desde o primeiro trailer de A casa do dragão.

No mais é um episódio excelente que não mais prepara o terreno e finalmente começa a construir o que deve ser os primeiros passos da verdadeira guerra, que deve ficar ainda mais intensa no próximo episódio após mais um salto temporal.

Todos os sete episódios da série estão disponíveis na HBO Max e todo domingo um novo é lançado.

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