CRÍTICA | Sexto episódio de “A casa do dragão” avança na história, mas sacrifica desenvolvimentos de personagens

Já ficou mais do que claro que os roteiristas de A casa do dragão não estão interessados em por menores e pretendem ir direto no ponto principal da narrativa, a dança dos dragões. Porém essa pressa em acelerar a história talvez comece a criar algumas lacunas na temporada, e o sexto episódio é um bom exemplo disso.

Exibido no último dia 25 o episódio intitulado “A princesa e a rainha” já começa com um salto temporal de 10 anos em comparação com o episódio anterior. Agora a princesa Rhaenyra (Emma D’Arcy) e a rainha Alicent (Olivia Cooke) são adultas e com um rivalidade declarada, seus filhos já grandes se relacionam como família inicialmente, mas vivem a margem de uma ruptura não tão distante e toda a guerra pelo trono começa a se desenrolar com mais clareza.

Do outro lado do mar estreito Daemon (Matt Smith), agora casado com Laena (Nanna Blondell), vive com sua esposa e as duas filhas o mais distante possível da guerra política de Westeros e não parece disposto a retornar. Criston Cole (Fabien Frankel) se tornou guarda da rainha e o rei Viserys (Paddy Considine) segue se deteriorando a cada nova cena.

Como um episódio isolado A princesa e a rainha é maravilhoso, entrega os principais conceitos da narrativa sendo aplicados de forma direta. A política agora é ainda mais influenciada pelos poderes dos membros da corte e os rumores da legitimidade dos filhos de Rhaenyra com Laenor (John Macmillan) parecem uma bomba relógio prestes a explodir a qualquer momento. No entanto o grande problema aqui é o desenvolvimento dessa narrativa e dos personagens secundários.

A sensação que a série deixa é que é uma mídia dependente demais do livro na qual se baseia e se o telespectador não tiver acesso as informações complementares presentes no exemplar, as lacunas desses saltos temporais ficam ainda maiores. A casa do dragão tem se tornado a série que aguarda os fins para poder justificar os meios, e narrativamente falando isso soa bastante preguiçoso.

O sexto episódio apresenta dois personagens de extrema relevância para os protagonistas, mas sua falta de desenvolvimento impede que o telespectador possa ter qualquer sentimento por eles, tornando assim as suas mortes completamente apáticas. Independente da qualidade das cenas em seus momentos finais.

É nítido que são personagens incríveis e que suas despedidas poderiam impactar ainda mais caso o telespectador tivesse algum tempo útil para desenvolver um sentimento por eles antes de precisar se despedir. E assim suas mortes soam apenas como uma casualidade do episódio, nada emocional, apenas uma formalidade para o roteiro chegar em algum lugar.

A casa do dragão tem se mostrado grandiosa em vários momentos, as boas atuações elevam o status da série e a forma em que a história tem sido desenvolvida deixa a ansiedade para as noites de domingo no nível máximo. No entanto essas pequenas falhas tem tudo para se tornar um verdadeiro tiro no pé, uma vez que isso tudo também sacrifica o desenvolvimentos dos protagonistas e mais a frente, talvez, algumas atitudes acabem soando forçadas por erros secundários.

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