CRÍTICA | Samantha! volta com piadas e críticas atuais e menos referência aos anos 80

Samantha! é uma série original da Netflix, estrelada por Emanuelle Araújo e Douglas Silva. A série que estreou em julho do ano passado conquistou o público por trazer em massa referências aos anos 80 e as personalidades nacionais dessa mesma época. No entanto, essa nova temporada trouxe críticas e alfinetadas mais atuais e próprias para a época em que vivemos.

A série conta a história de Samantha (Emanuelle Araújo), uma sub celebridade que nos anos 80 havia sido a criança mais amada do Brasil, porém hoje acaba se encontrando em busca da fama que já não lhe pertence. Na primeira temporada é evidente que a personagem é inspirada na cantora Simony, diante da sua trajetória e até mesmo casamento com um jogador de futebol que acaba sendo preso.

A nova temporada estreou no catálogo do serviço de streaming no dia 19 de abril, e além do elenco fixo da série contou também com participações de Gretchen, Luciana Gimenez e Nicole Bahls em momentos específicos da série. Gretchen já havia aparecido na 1ª temporada, mas dessa vez sua participação foi mais recorrente como a conselheira (via vídeo chamada) de Samantha.

Com o total de 7 episódios, com +/- 20 minutos cada, Samantha! entrega o que promete: humor. Com o núcleo familiar sendo o foco da série, toda a trama se desenvolve entre a família da sub celebridade. Samantha procura mudar sua imagem depois de ser vítima de uma biografia não autorizada, que a demonizou e transformando em uma grande e eterna criança mimada. Samantha agora quer mostrar que é uma adulta madura e séria, tentando até mesmo se dedicar a carreira no teatro.

A temporada traz debates acerca do feminismo, e brinca com algumas coisas que acontecem dentro e em volta do movimento. Ao tratar esse assunto a série traz um humor sem desrespeitar a luta, o que é difícil, mas eles fizeram com louvor. As piadas servem como crítica para aqueles que querem se auto promover ou até mesmo utilizar o movimento para benefício próprio. Algumas falas causam risadas por serem absurdas, mas ao refletir você nota como aquilo ainda é reproduzido.

Além disso, é possível notar algumas alfinetadas e piadas sobre celebridades nacionais atuais. Como por exemplo, em determinado momento Brandon (Cauã Gonçalves) indica uma terapeuta para o seu pai e diz: “Foi ela que ajudou aquela loira a sair da geladeira e ir pra Record“, o menino claramente se referia a apresentadora Xuxa. Samantha também faz menção ao reality da mesma emissora, A Fazenda, com a ajuda da Gretchen que em determinado momento diz: “Eu sei como você está se sentindo, foi por isso que eu toquei o sino naquele reality“. Esses são alguns exemplos de como a série reproduz alguns acontecimentos nacionais e os insere com bastante humor e leveza no roteiro.

Ao contrário da primeira temporada, nesta nós podemos ver um desenvolvimento mais claro e mais amplo da protagonista. Primeiramente Samantha começa ainda como a sub celebridade nervosa e desesperada pela sua imagem, no entanto no decorrer da série é abordado a sua infância com mais profundidade em seus traumas. Isso nos prepara para uma Samantha que se torna mais amarga e desesperançosa. O mais incrível dessa jornada é que a protagonista nota que nunca houve nada de errado com sua personalidade ou quem ela era realmente, mas ela deveria mudar a sua visão sob alguns aspectos de sua vida.

Em determinado momento da série a protagonista entra em conflito com sua versão menor. Além das cenas serem extremamente bem feitas e intensas, aquele momento é crucial para o desenvolvimento da personagem, montando pedaços de sua história e afetando seu olhar sobre si e as pessoas ao seu redor. O contraste das personalidades, criança e adulta, é evidente, mas em um determinado ponto elas entram em sincronia, fazendo a cena se tornar emotiva e impactante.

O valor à família, amigos e principalmente por ser quem você é, são constantemente debatidos. A série consegue trazer assuntos que fazem refletir sem ser exaustivo, pelo ao contrário, tudo é muito leve e divertido, tornando-se uma ótima série para maratonar.

 

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