Competencia Oficial, traduzido em português para Concorrência Oficial, é um longa hispano-argentino, dirigido por Gáston Duprat e Mariano Cohn, e conta com as atuações de Penélope Cruz, Antonio Banderas e Oscar Martínez e lançado no dia 25 desse mês na plataforma da Star+. A película de Duprat e Cohn se encontra entre o drama, a comédia e o ensaio, explorando muito bem essas três áreas de forma extremamente bem-escrita, bem planejada e bem executada.
Começando pela história, e nesse momento já começamos a ter acesso ao primeiro nível do filme: a metalinguagem. Um grande empresário, magnata de uma empresa farmacêutica, decide construir um monumento que o fará ser lembrado eternamente, e entre uma ponte pública batizada com seu nome e produzir um longa-metragem histórico, o empresário acabou optando pela segunda opção.
Nesse momento conhecemos os três protagonistas do filme: a excêntrica Lola Cuevas (Penélope Cruz), uma diretora em ascensão que está colecionando prêmios pela Europa devido aos seus filmes instigantes; Félix Rivero (Antonio Banderas), um ator de grande porte conhecido por seus papéis em longas de alto orçamento; Iván Torres (Oscar Martínez), um professor de dramaturgia, considerado o melhor professor de artes cênicas da Espanha. Juntos, os três devem trabalhar em uma adaptação de um livro sobre dois irmãos que entram em conflito, e é aí que a segunda camada da película aparece: o humor.

O humor de Concorrência Oficial não é o mesmo humor de uma comédia pastelona comum, ou mesmo de uma comédia hollywoodiana, e sim algo muito mais próximo do que é o humor desconfortável da série The Office. São momentos extremamente desconfortáveis (e realistas) que nos fazem rir do ambiente cinemático em que os artistas e produtores de filmes excêntricos provavelmente estão diariamente.
Por último, complementando bastante os dois primeiros, vemos o drama da história, essa que não vem pelos atores ou pelas situações, mas sim pelas brilhantes interpretações que Cruz, Banderas e Martínez possuem, principalmente quando estão encenando o filme. É curioso assistir um ator atuar como um ator atuando (perdão pela redundância), principalmente quando todas as instâncias são extremamente bem executadas.
Martínez interpreta um professor culto e cheio de si, que em todos os momentos age como uma caricatura de tudo que vemos ao ler algumas notícias, ouvir alguns podcasts ou acompanhar as redes sociais de alguns artistas dentro e fora do Brasil. O elitismo de dizer o que é arte e o que é artista, ao mesmo tempo que mostra que de fato Iván Torres é um personagem extremamente complexo e talentoso, faz com que qualquer cena de interpretação se torne um show a parte.

Agora, ao juntar todas essas características listadas aqui, temos algo que deveria ser um Frankenstein cinematográfico, o que o filme não deixa de ser, mas temos também uma obra extremamente bem construída, divertida e que em nenhum momento cansa o telespectador.
Competencia Oficial foi uma grata surpresa, visto que não havia visto nada sobre o filme antes de clicar no botão de play, e recomendo principalmente para quem gosta do estilo dos filmes espanhóis, visto que a aura noveleira encontra seu espaço dentro da caótica experiência audiovisual do filme.
Nota: 4,5/5








