A Tribernna assistiu o filme antecipadamente à convite da Paris Filmes
Uma grande sessão de terapia. Acredito que essa é a melhor forma de descrever o novo filme da diretora Sophie Hyde com roteiro de Katy Brand, “Boa Sorte, Leo Grande” que chega nos cinemas no dia 28 de julho.
O filme conta a história da professora aposentada Nancy Stokes (Emma Thompson) que, após o falecimento de seu marido, procura algo que nunca teve em sua vida: uma noite de sexo prazerosa. E para conseguir atingir seu objetivo ela contrata Leo (Daryl McCormack), um jovem profissional do sexo, ou melhor, da experiência de descobrir sua verdadeira essência.
“Boa Sorte, Leo Grande” é daqueles filmes-monólogos que preferem explorar sentimentos e vivências através de um roteiro intimista, intenso e com muita vulnerabilidade. Logo, o filme só daria certo se as atuações fossem tão grandiosas quanto a pauta escolhida. Felizmente Thompson e McCormack não deixam a desejar.

Enquanto Daryl soa confortável em seu papel de “gigolo sentimental”, Emma conduz o drama de modo tão natural e fluído que a duração de 1h37min do filme passa em um piscar de olhos. Sua performance é gigante a altura da carreira que construiu até o momento. Carregada de conflitos, remorsos, arrependimentos e julgamentos, Thompson vive uma mulher real que encontra o momento para se reencontrar e se desconstruir de seus preconceitos.
Até a metade do filme a história conduz o espectador em uma jornada emotiva e dramática de auto descoberta de uma mulher de meia idade. No entanto, sutilmente o roteiro transita dentro das similaridades e intimidade construída entre os protagonistas o desenvolvimento de Leo; que compartilha suas dores e de alguma forma mais filosófica ajuda Nancy a dar o primeiro passo em sua jornada de descoberta pessoal.
O jeito com que Brand brinca com o roteiro, transformando sexo em uma caixinha de surpresas com traumas, pensamentos arcaicos e um padrão irreal importo pela sociedade é brilhante. É claro que o filme tem a vida sexual da protagonista como pilar e pontapé inicial, mas a história (bem como seu significado) vai além da procura de um orgasmo. O que transforma a obra em algo surpreendente e instigante.

Ainda que o filme tenha basicamente um único cenário — o quarto de um hotel — a direção da cena final é de tirar o fôlego teatralmente. É claro que durante todo o filme a diretora consegue construir com um olhar afetuoso uma atmosfera mais imersiva ao desenvolver as camadas dos protagonistas, no entanto é somente no final que brilha ao retratar a liberdade sexual da protagonista de forma tão intensa, respeitosa e bela.
A cena final é a cereja no topo do bolo de uma narrativa construída em cima de paradigmas que envolvem mulheres de todas as idades ao redor do mundo. Fica tudo muito evidente graças a atuação de Thompson que se entrega de corpo e alma e escancara uma vulnerabilidade ímpar diante de nossos olhos. O filme consegue evidenciar e criticar a pandemia do ódio da autoimagem, além do etarismo que envolve todos de forma implícita e explicita em algo velado e enraizado em todos nós.
Com um cuidado exímio e um olhar mais sentimental, “Boa Sorte, Leo Grande” constrói uma história que se apoia em dilemas reais e identificáveis. Com atuações intensas e brilhantes, acredito que o filme tem uma ótima chance de estar presente nas premiações do ano que vem.
Nota: 4,2/5








