Essa crítica não contém spoilers
Ambientada no final dos anos 70, O Telefone Preto traz à tona o maior medo da nossa infância: o homem do saco ou qualquer outra entidade fantasmagórica que prometia te sequestrar a qualquer hora e a qualquer momento se você desobedecesse seus pais e falasse com estranhos.
O filme aborda uma série de sequestros estão acontecendo na cidade de Denver em 1978. Ethan Hawke interpreta o “Grabbler“, um serial killer que tem seu alvo crianças do bairro. Finney Shaw (Mason Thames), um garoto de 13 anos, é sequestrado após diversas crianças desaparecerem antes dele. Quando acorda em um porão há apenas uma cama e um telefone preto em uma das paredes. Quando o aparelho toca, o garoto consegue ouvir a voz das vítimas anteriores do assassino, e elas tentam evitar que o Finney sofra o mesmo destino. Enquanto isso, sua irmã Gwen (Madeleine McGraw) tem sonhos que indicam o lugar onde ele pode estar e corre contra o tempo para tentar ajudar os detetives Wright e Miller a ajudar o irmão.

Com a direção de Scott Derrickson o longa destrincha uma narrativa imersiva e intensa. Acompanhado do roteiro engenhoso feito por Derrickson e Robert Cargill, o longa — baseado no conto premiado de Joe Hill, Fantasmas do Século XX — consegue unir o sobrenatural com o suspense de sobrevivência em uma história de tirar o fôlego que nos faz relembrar dos nossos medos mais primitivos.
É claro que o gênero e o tópico principal não são nenhuma novidade no cinema, poderia passar horas citando filmes que exploram a temática de sequestro e escape. No entanto, O Telefone Preto consegue se destacar por trazer o misticismo de uma forma mais natural, quando se é visto pela perspectiva de uma criança.
Abordando ligações fantasmagóricas e conversas com Jesus, o longa, ao mesmo tempo, consegue inflar o perigo que habita no antagonista. Já que estamos inseridos em um uma narrativa em que o impossível é possível, fica inevitável não fazer associações a contos macabros que aterrorizavam nossa infância. E é por isso que tudo se torna tão intenso e imersivo, como se a sua história de terror mais primitiva ganhasse vida.

A direção não fica responsável por todo louvor do filme, Ethan Hawke atrás de uma máscara macabra se transforma no bicho papão instável e medonho, em seu jeito de falar, andar e vigiar. Em contraponto a tamanha tensão, Mason Thames desempenha majestosamente o papel de uma criança com sede de sobreviver, impiedosa e com o sobrenatural ao seu favor. O roteiro brinca em prol de Thames, ao plantar sementes que colheremos ao final (surpreendente) e nos faz torcer pela jornada de um underdog com espírito de um campeão.
No entanto, quem rouba cena na verdade é Madeleine McGraw, a irmã “sensitiva” do nosso protagonista. Destemida, munida de fé e coragem, a atriz vive uma personagem que poderia facilmente ser um paralelo a uma super heroína. Ainda que seu irmão seja a vítima-estrela desta história, Gwen (McGraw) desenvolve em seu tempo de tela limitado uma relação com o espectador que varia entre o humor natural e a tensão de uma perseguição.
O terror é pontual e beira o clichê. Ainda assim, isso não faz com que a história perca o seu brilho. Derrickson sabe brincar com algumas referências do gênero e nos traz uma experiência surpreendentemente eletrizante provocada por uma tensão sufocante.
O Telefone Preto estreia nos cinemas brasileiros no dia 21 de julho.
Nota: 5/5








