Inseridas em uma trama doce, leve e juvenil, Rowan Blanchard e Auli’i Cravalho protagonizam Crush, uma comédia romântica repleta de clichês e representatividade que estreou na última sexta (17) no STAR+.
Dirigido por Sammi Cohen e escrito por Kirsten King e Casey Rackham, o longa conta a história de uma jovem aspirante a artista que tem, por anos, uma queda pela sua colega de classe. Após entrar na equipe de atletismo para se aproximar de sua crush, Paige (Blanchard) se vê presa em dilema que muda sua forma de ver outra companheira de equipe.

Após o sucesso de Heartstopper e Love Simon, fica cada vez mais claro que a comunidade queer está esgotada de histórias trágicas. Ainda que vivências mais dramáticas levem consigo a sua importância de serem contadas ao mundo inteiro, também se faz presente a necessidade de entregar a este público a normalidade que vemos por muitos séculos entre casais heteros em filmes e séries. O amor na sua forma mais pura, romântica, revestida de clichês que fazem o espectador suspirar. E Crush entrega isso!
O filme é a comédia romântica em sua melhor essência. Explorando algumas piadas dentro da comunidade, como estereótipos entre lésbicas e a forma como se relacionam inseridas em um humor característico da geração z. É claro que o roteiro aproveita momentos de descontração para inserir suas críticas dentro e fora da comunidade LGBTQIA+, executado de modo tão natural que quando você nota é inevitável sentir um gosto agridoce.

O elenco principal é extremamente carismático, fazendo com que a conexão com a história seja fácil e até mesmo relacionável. Transitando de um modo investigativo engraçadinho, na tentativa de descobrir quem é o pichador misterioso do colégio, e o nascer de um romance natural, Crush é uma romcom extremamente previsível — isso não é um ponto negativo.
Como mencionei na minha crítica de Meu Eterno Talvez, os clichês previsíveis inseridos em uma história em que os protagonistas pertencem a uma minoria não devem ser lidos como algo negativo. Sabendo que este grupo de pessoas nunca teve esse tipo de representatividade durante sua formação, ver algo tão familiar sendo contado por alguém que você pode se identificar é um grande presente. Poder se ver em uma história popular é algo que já deveria ser normalizado para todos os tipos de amores.
O ponto é que Crush, ainda que beba de muitos clichês adolescentes, os executa de forma muito satisfatória. Não se torna uma história monótona e chata, pelo ao contrário, arranca sorrisos e acolhe quem assiste através de uma narrativa gentil e encantadora.

Crush não carrega grandes dramas e conflitos em sua trama, tudo é bastante fluído e se desenrola com facilidade. A química entre as protagonistas é de fazer com que você fique com borboletas na barriga, seja em cenas cotidianas ou quando elas estão trocando confidências. Além do romance, a amizade entre Paige e Dillon (Tyler Alvarez) é uma das melhores coisas do filme, a dinâmica entre os dois personagens garante boas risadas e um sentimento acolhedor de uma amizade real e bonita.
Se Crush não se tornar sua romcom teen favorita dos últimos anos, você deve revê-lo! Inclusive é possível ver que filme consegue resgatar um sentimento nostálgico dos anos 2000, com um romance colegial sem muita pretensão, servindo apenas para entreter quem ama o gênero. Talvez seu único defeito seja o humor fora do ponto protagonizado pelo elenco adulto, que as vezes destoa um pouco do que está sendo proposto e perde o rumo. No entanto, isso não incomoda porque se faz presente em apenas pequenas parcelas do longa.
Nota: 4,3/5








