Uma mistura de Desperate housewives com Only Murders in the Building, definitivamente podemos resumir a nova produção nacional da Netflix assim. Maldivas estreou seus 7 episódios ontem (15) despertando um certo interesse inicial mas não conseguindo mantê-lo até o fim.
Criado por Natália Klein, a série aborda a história e segredos de mulheres residentes de um condomínio de luxo do Rio de Janeiro. Com seus arcos individuais se entrelaçando, cada uma das mulheres em destaque acaba tendo um bom motivo para cometer um crime que surge logo nos primeiros minutos da série.
A premissa misteriosa ganha a atenção inicial do espectador, já que thriller, suspense e tramas investigativas sempre conseguem aguçar a curiosidade e, por consequência, conquistar a audiência. No entanto Maldivas passa longe disso, ele flerta com um humor caricato, frases de efeito e uma previsibilidade gigantesca que faz com que ele perca seu brilho gradativamente.

Basta dois episódios (no máximo três) pra você entender toda dinâmica das personagens principais e, assim, desvendar a maioria dos mistérios que a trama tenta emplacar. O mistério não é sólido o suficiente nem para se criar teorias ao assistir. Na verdade, a construção das personagens que prejudica tal acontecimento, já que é um dos grandes problemas da série. É praticamente impossível criar qualquer conexão com elas, exceto por Liz, vivida por Bruna Marquezine.
Podemos considerar que Marquezine foi a grande estrela de Maldivas. A atriz consegue cativar e fazer com que torcemos por sua personagem, ao mesmo tempo em que nos emociona suas performances, o que deixa claro o quanto sua atuação evoluiu nos últimos anos. Esse último ponto foi o que mais me deixou animada para assistir seu trabalho em Besouro Azul.
Carol Castro tem uma personagem interessante em mãos, mas conforme a história mais se avança mais ela perde destaque. Acho que lavagem de dinheiro não é tão interessante quando homicídios. Sheron Menezes é inserida em um plot que ao meu ver subjuga sua carreira, sendo restringida a uma mulher que apenas transa em todas as oportunidades que tem. No entanto, ainda assim, ambas atrizes conseguem tirar o melhor proveito dentro de suas restrições. Manu Gavassi é definitivamente a mais fraca entre elas. Sua personagem é quase uma versão dela mesmo, ou pelo menos a versão que assistimos no BBB e fora dele em seus videoclipes. Suas frases de efeito parecem ter sido escritas por uma adolescente que usa muito o twitter e toda sua performance é exageradamente caricata, desesperada para viver sua própria versão de uma menina malvada que dá pena.

A escolha de ter Natália Klein como narradora faz a série perder um pouco da áurea de mistério que insiste em se manter presente. No começo foi intrigante, pelo tom humorístico, no decorrer dos episódios soou apenas irritante. Apesar disso, sua personagem é uma das mais interessantes de ser assistida, complexa e cheia de camadas, o que faz sentido a criadora ter guardado a melhor personagem para si. Vanessa Gerbelli acompanha o nível de Klein enquanto dividem suas cenas. O maior ponto negativo disso tudo é que Gerbelli não tenha tido tanto tempo de tela assim, já que faz parte da leva de atrizes/personagens que realmente valem a pena serem assistidas nesta produção.
Ao contrário da parte criativa, o quesito técnico de Maldivas não deixa a desejar. Com uma ótima locação (mesmo restritiva), ótima direção de fotografia, ótimos figurinos e sacadas geniais de continuação de cenas, a série mostra o nível da qualidade que as produções nacionais estão ganhando pela Netflix. Se afastando cada vez mais do aspecto novelesco e ganhando uma identidade mais apropriada às suas histórias.
Infelizmente a sua montagem é um pouco confusa em determinados momentos, além de deixar algumas pontas soltas, a produção encerra com um pedido de renovação de temporada. O que não era necessário. É perceptível que há tantas ferramentas de rodeio na narrativa que fica crível que é possível concluir todos os arcos em apenas uma temporada e transformá-la numa minissérie “bem redondinha”. Infelizmente não é isso que acontece.
Ainda que Maldivas tenha sido relativamente fraca em seu maior foco, que foi o mistério, há de se retirar algum divertimento da produção. Algumas referências ali, algumas surpresas aqui, a série tem um brilho que pode ser lido como um potencial desperdiçado, mas que pode ser aprimorado. Assim espero.
Nota: 2,7/5








