Pantera negra foi o primeiro herói negro mainstream nos quadrinhos nos USA, com sua primeira aparição em 1966. Apesar de ter sido apenas coadjuvante no começo, e só ter ganhado uma história própria em 1973, sua importância e sua representatividade se estende até os dias de hoje.

Depois de 52 anos, desde sua criação, finalmente ganhou um filme solo, explicando orgulhosamente sua origem, tradição, costumes, e até mesmo idioma nativo. Pantera Negra, o filme, traz consigo questões éticas, políticas e culturais. No mesmo instante em que você vai conferir o filme pelo entretenimento garantido, você absorve a mensagem clara do filme. Um povo de cultura e economia rica, porém subestimado pelo restante do mundo. Diferentes tribos, com diferentes tipos de costumes e tradições, que se unem em prol a um único bem maior: a proteção de seu povo. Após refletir acerca das atrocidades que o mundo pratica, a escravidão, o abuso, dentre outros terríveis momentos pelos quais negros sofreram (e ainda sofrem), a população de Wakanda propaga a mensagem de “orgulho por ser quem eu sou”, orgulho de ser negro e saber que sua força pode ser retirada disso. Tal mensagem é de suma importância para o mundo atual, onde preconceito se disfarça de opinião. Também pode interpretar a superproteção do povo de Wakanda, com o sentimento de medo. O medo do que uma sociedade corrompida poderia fazer com a harmonia e riquezas de um povo que se mantém assim por séculos.

Wakanda, localizada no continente Africano, é o perfeito encaixe entre passado e futuro. Onde a população é regida por costumes e valores eternizados pelos seus ancestrais, mas ao mesmo tempo protegidos e cercados pela tecnologia provida do vibranium. O filme mostra a cerimônia do “Pantera Negra”, o Rei, respeitado dentre tantas tribos que se distribuem pelo continente, o qual usa o traje de uma pantera visando a proteção de seu povo.
Mais uma vez podemos ver com orgulho mulheres guerreiras no cinema. Após contemplar as Amazonas no filme da Mulher Maravilha, e Liga da Justiça, agora podemos ter o privilégio de conhecer as Dora Milaje. As guerreiras do Rei, equipadas com tecnologia de ponta, armaduras, e armas todas providas de vibranium. Além de serem altamente treinadas e leais aos seus ideais e ao seu reino. A representação da força da mulher, seu foco, e sua garra, faz com que tenhamos esperanças por mais filmes assim, onde a mulher não é mais apenas a sidekick, ou o rosto bonito de um filme importante. Todas as mulheres deste filme têm um papel importante e crucial na trama, tanto como na força quanto na inteligência. Ter uma general mulher, Okoye (Danai Gurira) revestida de garra e destreza, e uma princesa, Shuri (Leticia Wright) a mulher responsável por toda tecnologia de Wakanda, foi emocionante e revigorante.

A caracterização das tribos, do exército e demais personagens, é de uma qualidade única. A atenção aos detalhes, e respeito à cultura africana foi de deixar qualquer um orgulhoso. Um filme totalmente respeitoso, e que transmite a sensação de esperança de um mundo melhor. Um mundo pelo qual seremos uma nação, ajudando um ao outro. A trilha sonora de Kendrick Lamar, foi a cereja do bolo. O vencedor de 12 GRAMMYs, conseguiu absorver a essência de Pantera Negra com perfeição.

(O parágrafo a seguir contém spoiler da 1ª cena pós crédito)
O filme apresenta um dilema político interno, onde o Rei precisa decidir se continua a seguir os passos de seus antecessores e proteger Wakanda a todo custo, mesmo que isso significa se omitir aos problemas ao redor do mundo, ou compartilhar a sua sabedoria e tecnologia visando um mundo melhor. Assim que o filme acaba, começa a 1ª cena pós créditos, onde T’challa está se pronunciando perante a ONU, sobre seu novo posicionamento. “Pela primeira vez na nossa história vamos dividir nossa ciência e recursos com o mundo exterior. Wakanda não observará mais por de trás das sombras. Não podemos. Não devemos. Vamos trabalhar para servir de exemplo de como nós, irmãos e irmãs nesta terra devemos tratar uns aos outros. Agora mais do que nunca as ilusões de divisão ameaçam nossa própria existência. Todos sabemos a verdade. Há mais nos conectando do que nos separando. Em época de crise o sábio constrói pontes enquanto o tolo constrói muros. Temos que encontrar um jeito de cuidar um do outro como se fossemos uma única só tribo. ”
Não há mais o que se falar depois deste discurso. Somos um povo, e devemos nos ajudar. Pantera Negra, não só contribuiu com o universo compartilhado da Marvel, mas contribuiu também com a luta para um mundo com mais empatia e união.








