CRÍTICA | Uncharted: Fora do Mapa tenta emplacar uma aventura emocionante, mas não convence

É inegável que há um certo receio quando falamos sobre a adaptação de jogos em filmes, com exemplos como Mortal KombatResident Evil fica difícil acreditar que algum dia o cinema irá acertar em suas apostas.  Uncharted: Fora do Mapa vem com a promessa de ser o divisor de águas, de tentar trazer de volta ao mainstream o apelo oitentistas de filmes de aventura.

Estrelado por Tom Holland e Mark Wahlberg, o longa dirigido por David O. Russell traz a história do famoso Nathan “Nate” Drake (Holland) em sua primeira aventura de caça ao tesouro com o sagaz parceiro Victor “Sully” Sullivan (Wahlberg). Os dois partem em uma perigosa busca pelo “maior tesouro nunca encontrado”, na cidade sul americana de El Dorado, mas a aventura acaba se estendendo por todo o mundo, enquanto rastreiam pistas que podem levar ao irmão há muito perdido de Nathan. Porém, mal sabiam eles que seriam perseguidos por um grupo de mercenários que também buscam pelo tesouro perdido.

O filme tenta emplacar Holland, que acabou de sair do seu traje de Homem-Aranha, como um malandro batedor de carteiras, porém não convence. O ator ainda está preso na imagem de bom moço construída por anos na Marvel e falha em entregar alguém que necessita de uma malandragem maior, combinado com um ar mais maduro e explorador. O ator só consegue brilhar de fato nas cenas de ação, devido sua experiência não era de se esperar menos. 

As cenas de ação de Uncharted: Fora do Mapa são realmente o ponto alto do longa, porém um bom filme não é somente feito de explosões e coreografias de luta. A narrativa é extremamente apressada, atropela em todas as propostas que o filme tenta entregar, anseia por muito e nos presenteia com a superficialidade. Desperdiçando o potencial de explorar os enigmas que o jogo carrega, além da ação, o filme não apresenta nenhum perigo real ao protagonista, já que tudo é resolvido tudo com muita facilidade, se tornando previsível e monótono. 

Em contra partida, o visual do longa é realmente algo muito belo. Os efeitos visuais, ainda que precários em alguns momentos isolados, são condizentes com a proposta do filme (de ser uma grande farofa bobinha). A forma como Holland protagoniza suas cenas de ação nos remete por muitas vezes aventuras dos anos 80 como Indiana Jones, o que é até referenciado abertamente no decorrer do filme, ou até mesmo o sucesso dos anos 90 A Múmia, trazendo uma sensação de familiaridade com a modernidade da tecnologia atual.

Somente quando chegamos nos momentos finais que temos o vislumbre do que Nate de Holland pode ser, desengonçado mas promissor, o ator consegue cativar nas cenas do navio ao lado de Wahlberg, que desempenha seu papel no decorrer do filme com louvor, sendo o típico companheiro nada confiável – porém “gostável” – presente na maioria dos filmes do mesmo gênero. A dinâmica entre os dois é algo que adiciona uma parcela de imprevisibilidade na trama, além de compartilharem uma química enorme, ambos atores contribuem com uma dinâmica hilária entre dois seres opostos.

Uncharted: Fora do Mapa traz umas referências aos jogos, mas se antecipa misturando eventos e entregando o pote do ouro nas cenas pós créditos. Acaba frustrando quem esperava uma história mais intensa e instigante, se apoiando inteiramente no carisma de Holland e na sua popularidade, a trama esquece que a história precisa de mais tempo entre os acontecimentos para criar uma emoção e um choque maior entre entre eles, sem dar um devido desenvolvimento, o filme fica apenas superficial com muitas informações desesperadas jogadas em tela. 

O filme está em exibição nos cinemas.

Nota: 2,8/5

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