Hollywood é umas das mais recentes e novíssimas colaborações entre o pai de American Horror Story e Glee e a queridinha dos streamings: a Netflix. Trata-se de mais uma produção ambientada na “era de ouro” de Hollywood (quando “Hollywood” ainda de chamava “Hollywoodland”), que fala sobre sonhos, os bastidores desses sonhos, lutas raciais e momentos históricos impressionantes! E o elenco é uma raríssima combinação gigante de talentos!!
Primeiro o básico: a minissérie de apenas 7 episódios de 50 minutos acompanha a história de jovens atrizes e atores (e um roteirista e um diretor; sim, nem todo mundo quer ficar na frente das câmeras) tentando ingressar no mundo dos filmes glamorosos de 1940 (provavelmente 1947 ou ainda 1948).
Enquanto observam toda a beleza fabricada pelas telonas dos anos 40, os jovens se submeteram às situações mais improváveis para conseguir trabalhos significativos, enquanto a trama nos mostra uma realidade escondida e hipócrita das pessoas que mais influenciaram as gerações antes da nossa.

Sobre os atrativos da minissérie eu poderia subir num palanque e ficar 8 horas falando: o nome de “Ryan Murphy”, o elenco cheio de estrelas, a ambientação, as roupas… t u d o! Então vamos à pequena coletânea de fatos mais importantes: o elenco aqui tá perfeito! Todo mundo entrega uma carga dramática bem, beeeeeem interessante. Em especial Jeremy Pope, Patti LuPone e Holland Taylor, ao melhor estilo de direção de Ryan Murphy. A ambientação e todos os aspectos dos cenários também ficaram excelentes. A Netflix parece que está oferecendo um cheque em branco pro Ryan em cada uma das produções que ele cria (rs).
A direção de Murphy nos oferece um trabalho já familiar conhecido pela qualidade. Isso, aliado ao fato de serem apenas 7 episódios, já confirma o ritmo acelerado das coisas, como acontece em algumas das melhores temporadas de AHS e na não tão recente The Politician. E sim: a direção e os roteiros competentes de Murphy conseguem emocionar os espectadores com momentos e textos sutis muito bem plantados em cima de temáticas pesadas, mas que ficam mais leves pelo contexto que a série se insere. É maravilhoso vibrar com o Oscar de 1948 lá no último episódio!

Porém, não esperava menos de uma história fictícia em cima de uma história real. Sim, a minissérie é uma história real. Nem todo mundo ali existiu na Hollywoodland, mas alguns dos atores interpretaram atores reais. Exemplos? O posto de gasolina era real. Rock Hudson foi um ator real. Anna Mae Wong e Hettie McDaniel (a Queen Latifah) também. Henry Wilson foi representado com um realismo que chega a dar medo. Mas o intuito desse post não é trazer curiosidades (quem sabe num próximo). Para ler mais, acesse o link aqui do Huffpost e do Folha de Pernambuco.
Como honra à “era de ouro” de Hollywood, Murphy não fez apenas uma série de época: fez uma minissérie de época que parece um filme lançado na época! Confundiu aí?? A série mais parece um filme gigante que expõe ao público uma luta árdua para concretizar sonhos. Tem um “quê” de filmes da década de 50, do início empolgante ao final feliz típico dos filmes dessa época. Até na fotografia, dramática e belíssima nos momentos que representam seu auge, isso se reflete.

But, nem tudo são flores. O ritmo, enquanto ponto positivo, tem seu caráter negativo também. Típico das produções de Ryan Murphy, a série começa rápida e excitante, ao passo de que termina quase apressadamente. E é interessante ver esse padrão se repetir desde Glee: assista AHS ou Scream Queens e note que a estrutura é igualzinha. É um “problema” polêmico falar que Ryan sabe começar séries, mas não sabe terminar (Stephen King, vem cá). Por favor, não me apedrejem.
Essa minissérie definitivamente não foi feita para ver com a família. Apesar de não haver nada explícito (apenas uma cena de 3 segundos), o show tem tanto sexo (hétero e homoafetivo) que Sense8 mandou uma cartinha pedindo mais virtude no roteiro (não pegou a referência? Vá ver Sense8 na Netflix. Não faria mais do que sua obrigação). Tem sexo em 6 dos 7 episódios e nunca é uma cena só. Não que eu não goste de sexo ou seja contra cenas sexuais em shows, mas perde um pouco da graça ver aquilo de novo e de novo.

Por outro lado, esse é o foco do show. Mostrar todas as bizarrices escondidas que atores, agenciadores e donos de estúdio faziam longe das câmeras. Não imagino que Ryan tenha apertado repetidas vezes na tecla da insistência para mostrar vidas vazias compostas apenas de prazeres momentâneos para representar o tédio diário das pessoas conformadas com a realidade da época. Mas sexo vende. Atrai. E mulheres de cinta-liga também (rs).
Ah, e se prepare para muitas, muuuuuuuitas cenas de sexo homoafetivo. Isso jamais seria um ponto negativo. Só que são muitas. MESMO! Mas, se você parar pra refletir só um pouquinho, perceberá o show critica o fato de antigamente dois homens não poderem andar nem de mãos dadas. E exacerba sua oposição a isso (e as mudanças que tivemos daquela época pra cá) mostrando beijos e relações afetivas e sexuais entre dois homens. Essa sacada de Murphy foi genial! Só achei que passou um pouco do ponto.

Lembra-se que eu disse que a minissérie era quase um filme dos anos 50? Pois bem, isso se reflete principalmente em cima dos personagens. Muitos ali são utópicos demais, que tomam atitudes irreais para criar um carisma impossível num ser humano real. É meio difícil explicar sem dar spoilers, então vou deixar esse ponto no ar. Entendo que os filmes dessa época continham personagens que possuíam uma bondade digna do Pai nosso, mas isso quebra o senso de realidade que criamos sempre que começamos um novo filme ou série. Faz a gente se lembrar que pessoas e finais como aquele não existem na vida real. Isso dá uma bad lascada em mim. Por isso vivo chorando com a evolução quase espiritual dos personagens de Grey’s Anatomy (nobody knows where they might end up. Nobody knooooooows).
Bem, já falei demais. A minissérie não é perfeita, assim como as obras de Ryan Murphy como um todo. Mas é beeeeem divertida e, infelizmente, ainda é necessária, pelos temas que ela discute com o espectador. A trilha sonora aqui é sim perfeita! Mas em questão de música, atenho-me somente à abertura, com detalhes sutis sobre a escalada ao estrelado. Hollywood possui 57% de aprovação no Rotten Tomatoes e e 4 EMMY’s do Primetime. This town is all about dreams.
Nota: 4,1/5,0
Trailer legendado:








